
Seminário On Line 04
Procurarei manter o estilo descritivo da narrativa dos seminários anteriores. Por vários motivos. Um dos mais fortes é que me sinto iniciante e não iniciada na temática. De modo que procurarei reproduzir o evento, claro que sob a minha ótica, nesta última etapa, em pequenas doses, para atender a natureza do blog.
Como iniciante, ouvi os conferencistas, consultei as referências indicadas e assisti quase que toda a programação fílmica. Nesta modalidade presencial o seminário contou com convidados palestrantes e com uma platéia, aproximadamente, de cinqüenta ou mais atentos inscritos. De hábito, a partir das minhas anotações pessoais, tentarei destacar o que na minha maneira de perceber, foram pontos de destaque nas falas dos expositores e que estimularam, posteriormente, pontos para o debate. Estas notas dão conta de uma interpretação estritamente pessoal, a serem retomadas para possíveis aproximações, desde que haja interessados no assunto.
Novíssimo cinema alemão: Removendo os escombros do muro.
Palestrante: J.C.Sampaio.
Sinopse: Mais do que uma representação simbólica da derrota na Segunda Guerra Mundial, o muro que dividiu Berlim ao meio por 28 anos, alimentou o fantasma do nazismo, na forma de um trauma nacional, com repercussão na sociedade e nas expressões culturais. A geração de cineastas do movimento batizado de Novo Cinema Alemão, surgida nos anos 60, cresceu órfã de influências artísticas diretas, tendo como espelho a antiga cinematografia da Era Silenciosa. O mesmo não acontece com os jovens realizadores de hoje, que já têm nomes respeitáveis como Win Wenders, Werner Herzog e Rainer Fassbinder como referência. No entanto, ainda estão em busca de uma identidade coletiva e de representação da Alemanha contemporânea, reunificada desde 1989.
Anotações da palestra:
Ouvi uma palestra panorâmica sobre o novíssimo cinema alemão.
Dentre outros recursos, o palestrante selecionou trechos de filmes para ilustrar.
Em Asas do Desejo (Win Wenders, 1987) destacou a interpretação do que chamou o Céu de Berlim, antes da Queda do Muro. Mostrou que a geração 60 (Win Wenders, Herzog, entre outros) representou uma geração órfã de imagem, padecendo da ausência dos avós. Win Wenders refugia-se nos EUA, dá-se a ascensão do nazismo e a imposição de formas de ver o mundo pela propaganda, destaca-se a forte censura do período. Enfatiza o florescimento do cinema expressionista alemão, fenômeno hegemônico no cinema.
Refere-se à Nosferatu( 1922); Metrópolis (Fritz Lang,1926), O vampiro de Düsseldorf( 1931) ; uma alegoria ao nazismo ao apresentar um assassino serial que mata crianças. Espelha-se o medo que tomava conta do país. Período da II Guerra Mundial, forte censura na era nazista.
Destaca a utilização do áudio-visual como propaganda e a saída dos cineastas, atores e técnicos que migram para os EUA. No período 30-50 há um hiato na produção, diz. Evidencia-se uma geração órfã, dá-se uma revolução na linguagem com as novas vanguardas mundiais. As revoluções culturais dos anos 60, Fassbinder, Herzog, Win Wenders e outros e a influência dos avós. Destaca Meu melhor inimigo (Werner Herzog, 1999).
Menciona os diretores dos anos 60, o fantasma da guerra e a derrota na guerra. Traz as imagens dos filmes: O casamento de Maria Braun (1979) chama atenção de que este é o dedo na ferida; Asas do Desejo (1987); Adeus Lênin (2003) ou o que chama, ironicamente, de meu mundo caiu.
Assinala o que ficou de fora: Edukators (Heinz Weingartner, 2004); A queda do muro (2005) que, parece mostrar um Hitler dissecado. As temáticas centram-se na guerra e no terror. Na queda das torres gêmeas predomina o sentimento de terror.
Win Wenders vai mostrar o uso da câmera como uma arma contra a miséria. Por que filmes? Num exílio obrigatório nos EUA, na ausência de perspectiva de futuro, Nenhum lugar para ir, (Oskar Roehler, 2000). O capitalismo determina a imposição da imagem, morte da tradição e das culturas; aparecimento de um mercado para os migrantes; há uma corrupção dos valores.
Mostra que o filme Adeus, Lênin (2003) não é um filme militante, se resolve na ironia, mas coloca uma realidade chocante, as fronteiras, a determinação de marcas de grife e a expansão dos excluídos; a mídia como verdade só é verdade se a TV mostrar; Lênin pairando sobre o céu, abençoando o céu de Berlim. As contradições: o peso e a leveza.
As crianças vêem os anjos porque são inocentes O Tambor (Volker Schlöndorff, 1978). Alegoria ao surgimento do nazismo (anos 70) é um filme político embora não fale, diretamente, em política. Da narrativa naturalista para o realismo fantástico. Mostra a história do sistema mundial de produção de mercadorias.
Para mim, além do convite à retomada da filmografia alemã de antes e depois da queda do muro, a palestra levou-me a pensar sobre o caráter doutrinário e ideológico do cinema enquanto instrumento de propaganda e formação de consciências, amplamente utilizada pelo Reich. Quanto à caracterização do Novo Cinema Alemão (anos 60) e os Novos Realizadores de Hoje (anos 90) mereceria um tempo maior para reflexão, valeria outra exposição que articulasse mais as diferentes conjunturas e os diferentes ecos que tiveram na produção de uma filmografia alemã anterior e posterior à II Guerra Mundial. Sobre a busca de uma identidade coletiva, o conceito não foi sequer localizado nas múltiplas abordagens da literatura recorrente, de modo que haveria de ser retomado, para uma utilização mais apropriada. Enviei, posteriormente, estas anotações para o palestrante. Não sei ainda se foram recebidas ou se não devia fazer parte de agenda. Passo a segunda palestrante, na próxima.
Acima, cena do filme O Tambor( Die Blechtrommel, 1978).