quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Alma Mediterrânea.

Comunicação simples, falas de quem quer conhecer o outro, transpor pontes e remover fronteiras. Aviso do correio sobre um pacote, neste um singelo presente: um CD gravado com centenas de arabesques musics e uma inusitada mensagem de quem quer brincar com os mistérios da alma humana, uma rosa sépia.El Aman Aman de Azer Bulbul inicia a faixa, o rítmo evoca instrumentos de corda, palavras e melodia desconhecidas o que não impede saber que se trata de um lamento de amor apaixonado, um mantra lento e meloso. Sigo as faixas, Azer Bulbul, Yatamiyorum. Means? Consigo saber da letra que diz i can’t sleep. Sem dúvida parece uma navegação no terreno do amor. Piegas? Meloso? Aventureiro? Solidário? Percorrendo as faixas percebendo que a baglama domina os sons melodiosos e misteriosos. Sim, há um mistério neste rítmo do mar negro.Burhan Cacan, segunda faixa, Ipek Mendil Ben Yarime Neler, Yaradana Kurban, duas músicas. A tradução indica uma fala de criação de vítimas de um sofrimento de amor, são lamentos causados pela entrega, os sons de corda movimentam-se provocando leveza e suavidade ao estilo de música romântica, nas falas do coração. Cengiz Kortoglu avança mantendo a suavidade melódica, o som da baglama definindo a composição melódica. Canções que dizem das mazelas dos amores desfeitos, das paixões avassaladoras, dos desencontros constantes_Buyumeyen Bebek, Daha Yoklugunum Ilk Aksami, Demek Gidiyorsun, Duvardaki Resim, Elimde Degil, Gece Olunca, Gelin Olmus, Hain Geceler, Liselim, Resmini, Unutulam, Yillarim_ To be forgotten. Quem já não sofreu deste mal que atire a primeira pedra.Bir Tanem. Bir Tanem. Milhares e milhões gostam de ouvir essa expressão. Coskun Sabah, Emrah, Hakan Tasiyan, Ibrahim Erkal, Ibrahim Tatlises dizem-na aos borbotões, não sei se convencendo quem as ouve de que o mundo dos sonhos aliviam os roncos dos bombardeios e das fatricidas guerras dos mares de sangue.Sirilsiklam. Sirilsiklam. A voz de Ibrahim Erkal dizendo a sua amada que está encharcado de lágrimas da cabeça aos pés, palavras de quem está afogado nas dores do amor. Para os mortais ouvintes libertos dos massacres, livres das destruições de suas memórias, talvez não se sinta sensibilizado da suposta pieguice do amor, mas para os que vivem submetidos aos constantes massacres e selvagerias globais, as veias de sangue jorrando pelos mares da dor_ Deli, mundo DELI_a arebesque music revela as tradições mediterrâneas e nos leva a participar do singelo e afetuoso gesto da rosa sépia. Salvador, julho de 2007.

3 comentários:

Luis disse...

Parabéns!!!

Vou visitar sempre!

É tão bom e raro quando se encontra um blog que sai do blá blá blá tradicional!!!!

Parabéns!

Antonio Almeida disse...

Stela, com certeza um espaço menos viciado de bobagens.... Que bom poder termos algo mais "intelectual" na net e no blog.....

Grande abraço e sucesso, vou estar sempre dando uma olhada e se você permitir, algumas criticas elogiosoas

Abraços

Jonga Olivieri disse...

Um texto sensível. Uma narrativa que se inicia com o despertar da curiosidade e termina com a poesia mais expressiva e envolvente.
Deu-me imenso prazer em ler. Fez-me viajar por entre tamareiras e oásis, envolvido pela brisa morna das dunas, em um mundo distante, mágico e fantasioso; no imaginário de 1001 contos de sheiks, odaliscas e princesas ávidas de amor, cuidadosamente escondidas em jardins ocultos.
Algo mais afetuoso que o gesto da rosa sépia?