segunda-feira, 7 de setembro de 2009

2002_2009: memória

















Em agosto de 2002, fez exatamente sete anos, tivemos a honra de publicar o livro Negativos em Vidro, resultante de nossa Tese de Doutorado em Ciência da Educação(Ufba,2000). Após trinta anos de dedicação exclusiva à Universidade Pública, nossa aposentadoria fêz-se necessária uma vez que novos projetos e o grande contigente de jovens batalhando por um lugar de trabalho indicaram e nos impuseram criar outros espaços e deixar que os novos surgissem. Reconhecemos, porém, que a defesa da Universidade Pública vem perdendo a chance de se instalar como nos tempos que participamos e acreditamos num projeto utópico e democrático de sociedade e de ensino. Sinais de que o mercado tem leis selvagens que estão a atropelar e massacrar, sem retorno, esmagando o que Gramsci chamava de sociedade civil e sociedade política, de prevalência das utopias.
A seguir, um release do livro publicado pela Edufba.

Olhar e analisar imagens enquanto produção e representação de estruturas de autoridade constitui uma linha de pesquisa a ser desenvolvida na historiografia e, particularmente, na historiografia educacional. A presente investigação circunscreve-se neste âmbito. A autora, por história de vida e de ofício, analisa uma coleção de imagens fotográficas produzidas no início do século, representações significativas de um projeto pedagógico jesuítico que se instalara em Salvador e que se tornara responsável pela formação intelectual, acadêmica e religiosa de uma elite dirigente com larga tradição na vida da cidade. Desvendar os sentidos da produção destas imagens e compreender por que a cultura imagética impregnou todo o projeto pedagógico que se mantém em curso na contemporaneidade foram os principais propósitos da pesquisa.
Por que este projeto pedagógico utilizou recorrentemente as imagens, especialmente as fotográficas, para o registro da sua história institucional e cotidiana? Em que medida estas imagens impulsionaram ou impediram a difusão do ideário religioso e pedagógico esboçado nos anos 20 e 30, período em que foram produzidas? Qual a incidência com que estas imagens aparecem no itinerário das ações desenvolvidas neste projeto pedagógico? Por que determinados personagens são destacados e freqüentemente participantes dos cenários produzidos nos quadros imagéticos? Quais os eventos e atividades que se tornaram motivos freqüentes de enquadramento e fixação de posturas e estilos da época? Por que determinados rituais são excluídos do cenário imagético e outros repetidos e reproduzidos sistematicamente? Estes e outros questionamentos foram se definindo e se ampliando durante a descoberta e tratamento sistemático da coleção de imagens selecionadas para esta pesquisa, em que a relação entre a produção destas imagens e os processos que se desenvolviam na vida escolar e da cidade foram se revelando com maior propriedade e definição.

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Sobre a autora
Stela Borges de Almeida (stelaborges@uol.com.br) é baiana, doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia ( 2000). Foi Professora Adjunta no Departamento de Educação da Universidade Federal da Bahia ( 1977-1999). Organizou o livro Chaves para ler Anísio Teixeira ( 1990, UFBa-EGBa-OEA) e publicou diversos artigos em revistas sobre o estudo dos intelectuais, das instituições educacionais e da memória da educação brasileira.

Lançamento de Livro
A Editora da Universidade Federal da Bahia e o Colégio Antônio Vieira convidam para o lançamento do livro Negativos em Vidro: Coleção de Imagens do Colégio Antônio Vieira, 1920-1930, de Stela Borges de Almeida.
Data: 30 de agosto de 2002, às 19 horas.
Local: Colégio Antônio Vieira
Av. Leovigildo Filgueiras, 683
Garcia - Salvador-BA
Tel: (71) 328-9500

3 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Taí, Stela! Fiquei interessado e queria ler este seu livro. Onde posso encontrá-lo aqui no Rio?

Minha mãe foi professora no Jardim de Infância da filha (1) de Anísio Teixeira e conta um caso interessante de que um dia ele bateu na porta da sala e disse: "Eu vim conhecer o "Anjo!".
Minha mãe, atônita não compreendeu a frase, até que ele explicou que ela havia feito um trabalho muito bom com a sua filha, transformando-a.

(1) não me lembro bem se era filha ou filho, mas quase com certeza era filha.

Stela B. de Almeida disse...

O livro Chaves para ler Anísio Teixeira está esgotado. Você encontra em bibliotecas. No RJ certamente encontrará na Biblioteca da UFRJ, integra a Coleção Cidadania_Projeto: Modernização, Estrutura Social e Educação na América Latina, Coordenada pelo Professor José Oliveira Arapiraca(falecido).
A menção ao Anjo é uma lembrança muito querida, também alcancei excelente aprendizado com o arquivo do grande mestre Anísio Teixeira. Devo muito do que aprendi sobre Educação ao estudo de suas obras. Se você consultar o Prossiga, Biblioteca Virtual, você encontrará, in locus no RJ, muitas referências que foram valiosas na minha caminhada acadêmica.
Quanto ao livro Negativos em Vidro encontra-se nos postos de distribuição da EDUFBa e nas editoras das Universidades Federais.

Taí Jonga, enviei um exemplar do meu livro para o André Setaro, o ano passado se não me engano. Mas hoje voltei a ler o Novas Pensatas, quando você conseguir o documentário South of Border, não esqueçe de enviar-me ou pelo menos avisar por e-mail. Antenado esse baiano-carioca-mineiro! um abraço forte e humorado.

André Setaro disse...

Seu livro é uma obra preciosa e extremamente bem pesquisada. Assim como tudo que você faz. Há um rigor no seu método de investigação das coisas. Vejo na foto o velho Jorge Calmon, que, apesar de homem de corte conservador, distinguia-se pelo lhano trato, pela educação e pelo respeito. E está, tenho certeza, revoltado em seu espaço exíguo no túmulo diante da reforma predatória que está a sofrer o seu querido jornal A Tarde. O fechamento do Suplemento Cultural, com todos os defeitos que ele podia ter, é um acinte à cultura baiana - já tão miserável nesta chamada 'contemporaneidade'.