domingo, 2 de maio de 2010

Andrei Tarkovski_Solaris

8 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Como me lembro destas cenas de "Solaris".
Quanto me lembro que, apesar de não esperar muito do "capitalismo de Estado" soviético, a gente sempre tinha a impressão de que a URSS seria uma coisa um pouquito diferente do ocidente neste seintido "henryfordiano" do veículo individual.
Que nada, o que assisti foi uma Tulsa, Salt Lake City ou qualquer outra cidade do meio oeste estadunidense.
Muito embora o foco da questão fosse a solidão, coisa que "Solaris" aborda com maestria.
Sou dos que gosto daquele filme que foi amplamente arrazado pela crítica como uma cópia de "2001", mas não é... Trata-se de uma a~´alise bastante profunda do início da queda do Império Soviético e seus valores...
Grande filme!

Stela B. de Almeida disse...

Preciosas cenas, estou incentivando quem posso para programação de uma Mostra Andrei Tarkovski, já consegui colocar na pauta do curso da pós, mas estou interessada na linguagem poética, o filme é sublime. O debate político que inspira também, mas a poesis, antes.

André Setaro disse...

Dos filmes do genial Tarkovsky, aprecio quase todos que vi, principalmente 'A infância de Ivan', de início de carreira, além de 'Solaris', 'Nostalgia', 'O sacrifício', 'Stalker', entre outros, está, para mim, como a sua maior obra, 'Andrei Roublev' ('Andrei Roublev', 1966), filme de profundo lirismo, cujo tema dominante nas suas imagens é o lugar do criador na sociedade e seu papel de "fermento da contestação"

As imagens de 'Andrei Roublev', de tão elaboradas, assemelham-se a quadros, chegando mesmo Tarkovsky a alcançar, como nenhum outro cineasta, o que se poderia chamar de 'estética do pictórico'.

Tomando emprestadas as palavras de Claude Beylie daquele livrinho precioso de obras-primas: "Todo o esforço de Tarkovsky é no sentido de denunciar o engodo do progresso material e de exaltar, por oposição, a dignidade da vida interior, as virtudes da ascese e do sacrifício. Compreende-se porque tomou como exemplo um pintor de ícones em busca de um absoluto que transcendesse os simulacros do mundo terrestre.

Sim, Stela, a poesia vem antes neste grande criador.

Stela B. de Almeida disse...

André Setaro, estava sentindo sua falta, seus comentários são ouvidos com atenção, lembro que foi você quem me indicou o templo de cinema onde redescobrimos preciosos dossiê dos mais importantes realizadores da sétima arte. O arquivo é um dos melhores e continuo visitando sempre que posso, foi você também quem me emprestou o livrinho, um senhor livrinho!

Anônimo disse...

A seguir o e-mail recebido do professos Menezes que coloca seus interesses de estudos e de como o cinema flui em seu itínerário. Passos para mantermos mais convergencias em estudos já iniciados.



Bom dia Stela,
Visitei seu blog depois de ver um decumentário sobre o êxito de Stalin na construção material da Rússia, sua modernização, em especial: um canal que abre a Rússia para o exterior; Os sete edifícios cidades que rodeiam Moscou e, finalmente, o soberbo metrô da Cidade.
Conheci Moscou e St. Petersburg ano passado. Apaixonei-me. Uma estranha que me fascina esta Rússia e sua cultura.
Assim como o socialismo.
Ví em seu blog esse viés de refletir a partir e com o socialismo. Eu nunca militei em seus fronts. Nem nunca me dediquei a estudar seus arquitetos.Gosto de Hegel e o estudo em razão de suas teorias que oxigenam nosso modo de constituir relações, ele que esteve depositado à mesa de cabeceira de Marx.
Tenho um doutorado sobre a obra de um ex pc-ista francês, com quem tenho dialogado enormememente. Gosto dos psicólogos Russos, a exemplo de Vigotski, a quem sempre empresto a idéia de que a mente é contructo coletivo. Admiro demais um psicanalista marxista, Erik Fromm, cuja obra faz parte do meu itinerério. Considero Dostoievski muito mais psicólogo que muitos daqueles que esvaziam o poder da psicologia nos nossos cursos de formação. Me ajoelho frente a obra de Tólstoi e Kandinski.

Fiquei pensando nesses pontos de tangências bem flutuantes, o que poderia unir nossos interesses. Qual brain Storm, alguns fios:
1. O cinema é pouco explorado na academia, e os jovens, treinados na interpretação das imagens em movimento, não aguentam o bolô do modo como a tradição é passada para eles (nada absorvendo da dinâmica das imagens que precisam de hermenêutica); 2. A aridez de projetos comunitários (mesmo modestos), que deixam uma certa juventude abandonada a projetos absolutamente individuais;

Vamos conversar sobre essas coisas quando oportuno?

menezes

Stela B. de Almeida disse...

Caro Menezes, aguardo o tempo para passearmos e nos debruçar pelo itinerário Hegel-Marx intermediados pela poética de Tarkovski. Chegaremos juntos à Zona proibida que nos fala Zizek ao ler os filmes de ficção científica,Solaris, ou mesmo a "dascha", última cena do Sacrifício? Incrível, logo eu que nunca lí Lacan, completamente envolvida pelas interpretações psicanalistas. Um grande e fraternal abraço,
Stela

Zαzø Guєrrα :: Ich bin kuηst =) disse...

Oi Stela

Obrigado pelo comentário.
Quero muito o livreto com o conteúdo do seu blog. Apesar de ter um blog e acreditar na mídia digital como o futuro da comunicação ainda sou do tipo que gosta de pegar em papel e lê-lo.
Vou te ligar pra combinarmos.
Um beijo forte

Stela B. de Almeida disse...

Zazo querido, não sabia que você além de fotografar bem anda treinando na arte da escrita, lí e gostei. Como meus amigos são sempre mais para mim, não poupei os verbos afirmativos. Comentei com Yog e estamos esperando que você venha para o sarau literário com passagem pela filmografia de Tarkovski, um encontro de e para a poesia. Viu como te amo?
Beijo, Stela