sábado, 25 de julho de 2009

Flipinha_2009

Para Flávia e Ana Beatriz.

Trem de ferro

Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virge Maria que foi isso maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)

Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)

Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...


Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)

Manuel Bandeira in "Estrela da Manhã", 1936.
































Nota: Praça da Matriz em Paraty-RJ, Tenda da Flipinha.

5 comentários:

Stela B. de Almeida disse...

O e-mail que transcrevo a seguir é de Dra. Ivany C. Silva, médica homeopata que no momento se encontra trabalhando com comunidades ribeirinhas na Amazônia. De tão longe e tão perto, gostou da Flipinha que enviei, obá!

Lindo! Obrigada.
Stela como vai Dona Zú? Diga que mando um beijo amazônico.
Beijos

Ivany Carneiro Silva
Clínica Médica/Homeopatia/Psicoterapia
CRM AM 5745 CRM BA 8351
(71) 99877760 / 32377760
(92) 91234913 / (97) 35612126

Jonga Olivieri disse...

Lindo!
Manuel Bandeira... Afinal é o Manuel Bandeira, minha gente... Quem sabe sabe!
Gostei muito das fotos na Flipinha.

Stela B. de Almeida disse...

Jonga, enviarei mais fotos para você logo mais, agora vou até Pasárgada tomar um banho de chuva, volto antes que o dia anoiteça. Até mais.

André Setaro disse...

Não tive a sua sorte, lotérica, de estar presente na Feira Literária de Paraty, mas, por outro lado, os versos de Bandeira me fizeram viajar no tempo em busca de algo perdido na minha meninice. Vejo-me, diante de certas coisas, sentimental e nostálgico. Ou nostálgico e sentimental. "C'est la même chose!"

Stela B. de Almeida disse...

O clima da Flipinha contagia, caro Setaro. Esta semana os ares são outros, eis que a Nouvelle Vague se instala no Martim Gonçalves. Preciso consultá-lo para tornar mais rico este novo encontro com Godard, lí seu artigo no Terra Magazine e assisti Fragmentos de conversas com Godard de Alain Fleisher, 2009. Valeu rever o cineasta aproximando-se dos oitenta anos.