terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Café Ara Güler, Istanbul ( 2016)


 




2024_NOVAS POSTAGENS


Amigos/as do Blog: Cultura, Política e Cinema, estivemos fora do ar durante o período de pandemia, um momento de tensão  e reclusão obrigatória em virtude das imensas perdas e mudanças no Planeta Terra, muitos não conseguiram sobreviver e partiram para outras galáxias. Voltamos, uma vez que este espaço foi criado com energias cósmicas e compartilhamentos de diferentes espíritos de colaboração e trabalho de natureza lúdica e de aprendizagem. Aguardem nossos próximos passos! Em breve.

 

sábado, 5 de setembro de 2020

PANDEMIA E SUSTENTABILIDADE: um debate


Nesta postagem vou criar uma conversa fictícia com interlocutores que estão na minha agenda de interesse de trabalho e conhecimento.   Quero perguntar-lhes sobre o que acham do momento em que estamos vivendo, quais soluções apresentam para um mundo justo e sustentável pós-pandemia e neste bate-papo apresentar aos  leitores deste Blog suas idéias. À seguir.

BLOG: Primeiro quero dirigir-me ao Presidente da Ubiquity University, Dr. Jim Garrison e dizer-lhe que a Webinar que esteve sob sua curadoria nos meses de maio a agosto de 2020 provocou uma série de questionamentos e aprendizagens, principalmente por reunir um conjunto de pensadores, criadores e entusiastas da maior diversidade e abrangência de áreas de atuação, permitindo aos participantes partilhar de suas ideias, vivências e experiências. Falou-se muito em Innovative Approaches to Generative Economics. Gostaria de entender mais da proposta apresentada, é possível?

Dr. Jim Garrison_ Como você assinalou apresentamos diariamente no mesmo horário, das 12:00 às 14:00 PM, várias sessões que trataram deste tema. Estas sessões estão gravadas no Youtube e poderão ser assistidas posteriormente por quem se interessar, no horário que lhe for mais conveniente. Sobre a economia generativa há um conjunto de abordagens inovadoras, é um termo cunhado por Marjorie Kelly para definir “ uma economia viva que é projetada para gerar as condições para que a vida prospere, uma economia com uma tendência embutida de ser socialmente justa e ecologicamente sustentável”. A economia gerativa tenta reorganizar o propósito e a estrutura de uma organização, a ponto de ser auto-organizada em torno do atendimento às necessidades da vida. A economia gerativa é baseada em projetos ricos em biodiversidade, não em monoculturas. São exemplos desses tipos de projetos organizacionais, propriedade de funcionários, cooperativas, associações de crédito, fundos comunitários, comunidades de co-habitação, energia eólica comunitária, empresas familiares e empresas de fundações. Seus objetivos são criar resultados justos e beneficiar muitos em vez de poucos e possibilitar uma presença humana duradoura no planeta Terra.

BLOG: Na abertura do evento, em 21 de maio de 2020, chamou-me a atenção a participação de inúmeros ativistas, vozes indígenas e fundadoras de uma ampla rede feminista, fundadoras de centros e institutos voltados para proteção do meio ambiente, escritores, artistas e representantes de movimentos sociais e um conjunto expressivos de lideranças espirituais ligadas aos cuidados da saúde, da alimentação, da justiça e da paz. Também estiveram contribuindo nos debates uma rede de mulheres empreendedoras, trazendo suas experiências profissionais e abrindo perspectivas de diálogos. Um conjunto expressivo de escritores, editores e profissionais ligados ao mundo dos livros e palestrantes oriundos das mais diversas nacionalidades, empenhados em difundir seus conhecimentos e vivências. Destas inúmeras manifestações e contribuições chamou-me atenção a participação de Jane Goodall, Primatologista, Mensageira de Paz na ONU e fundadora do Instituto Jane Goodall. Poderia nos apresentar o trabalho pioneiro da Jane Goodall para este Blog?

Dr. Jim Garrison : Jane Goodall é uma das mais famosas primatologistas do mundo. Nos anos 60 realizou pesquisas pioneiras sobre o comportamento dos chimpanzés no Parque Nacional de Gombe, na Tanzânia, e descobriu que os primatas são muito mais próximos de nós do que se imaginava. Notou que os chimpanzés tinham personalidade própria, usavam ferramentas e passavam por períodos de luto. Seu interesse e amor pela vida dos animais contou com apoio de sua mãe, na época não era uma atividade comum entre as mulheres e ela precisou trabalhar duro para transformar-se em cientista e ativista , estudando os comportamentos de primatas em diferentes regiões da África.

 Jane Goodall, hoje com 86 anos, vive em Bournemouth, na costa sul da Inglaterra. Tem participado ativamente em diferentes fóruns e contribuído para pensarmos o momento pandêmico com suas idéias corajosas e afirmativas. Recentemente em entrevista para o site do EL País Brasil declarou: “ Você precisa se preocupar com as futuras gerações, ao menos deve tentar. Não vou deixar que sujeitos como Donald Trump e Bolsonaros me atinjam e me façam calar. Não, vou me levantar de novo. Morrerei lutando, porque é a única coisa que posso fazer”.

Sobre o momento de pandemia que estamos vivendo, destacou a falta de respeito com a natureza, o meio ambiente e os animais: “ O problema não é só não respeitarmos o meio ambiente, mas sim não respeitarmos os animais: os caçamos, os matamos, os comemos, os traficamos. Muitos acabam em mercados de animais vivos na Ásia, onde essas diferentes espécies estão juntas em situação estressantes e anti-higiências.... É muito importante percebermos que cada animal, tanto os que estão nos mercados de carne como os que estão nas fazendas-fábricas, nessas condições espantosas, tem uma personalidade.”

Assim, a ativista inglesa vem se manifestando e alertando o planeta para os perigos do desrespeito do homem com a natureza e os animais. Sobre o futuro pós-pandemia mostra-se esperançosa “ Temos uma pequena janela de tempo para começar ao menos a curar alguns dos danos e a desacelerar as mudanças climáticas. E se fizermos escolhas éticas, então começaremos a avançar para poder deixar um mundo não tão desesperador para nossos bisnetos.”

BLOG
:
 Como vocês sabem, há limites para a extensão das postagens. Poderíamos continuar o bate papo com Dr. Jim Garrison pois a extraordinária Webinar e seus convidados trouxeram um conjunto de questões que foram impossíveis de tratar neste espaço. Convido os nossos leitores a visitarem o site da Ubiquity University e lá encontrarão as 83 sessões Humanity Rising Day. Finalizamos por aqui agradecendo: Thank You Very Much Dr. Jim.  You are Nice and Gentleman Professor. See you!

 

P.S: No próximo Post convidaremos experts em cibernética e meio ambiente para continuarmos o bate papo e ouvirmos suas experiências e vivências nestes tempos de pandemia. Estamos enviando  convite a C. Riggle e G. Aguiar pelo correio eletrônico, aguardando resposta. Até a próxima.


                                           Foto: Jane Goodall. In: Wikimedia Commons


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

FIQUE EM CASA

FIQUE EM CASA tornou-se um dos avisos mais constante nas mídias e redes sociais. Em tempo de pandemia as atividades cibernéticas desdobraram-se em intensidades e ressonâncias. Interações em lives, no youtube, instagram, webinar , entre outras ferramentas do mundo digitalizado são momentos quase que obrigatórios para os internautas e os que diante da presença de um vírus ameaçador, buscam informar-se.

A intensidade da oferta de cursos, aulas on line, encontros os mais variados e repletos de criatividade e invenção, são e e estão sendo oferecidos e colocados à escolha dos interessados. Da arte de cozinhar à arte da jardinagem, passando pelos cuidados essenciais com o corpo, a mente e o espírito, cursos e aulas passam pelo âmbito da espiritualidade, com indicações de como meditar, participar de cursos de yoga, de dança, de música, enfim, uma variedade e multiplicidade de espaços de interação e aprendizados a conferir e escolher. A variedade  engenhosa dá-se no sentido de atender ao capital cultural existente e na maioria das vezes a própria ausência deste, os gostos e estilos são diversificados.

Neste conjunto multifacetado de ofertas e mídias sociais fui abduzida para inscrever-me numa webinar desafiante e extensa. Tratava-se de um encontro entre participantes de diferentes países que buscavam relatar experiências e aprendizados no sentido de encontrar saídas e soluções para um momento crucial e de extraordinária reflexão: a pandemia que afetou todos os continentes e países do mundo provocando mortes e danos, a covid19.

A Webinar, localizada na Califórnia (USA), foi exibida em 83 sessões diárias, das 12:00  às 14:00 PM, iniciando em maio até final de agosto de 2020, promovida pela Ubiquity University tendo como curador o Dr. Jim Garrison.

Chamou-me atenção a abertura do evento, pela abrangência das representações convidadas para refletir sobre o tempo que estamos vivendo:

Uma reunião histórica de grandes mentes e corações abre o Humanity Rising Summit com curadoria do Dr. Jim Garrison, presidente da Ubiquity University. Oradores na ordem de apresentação: - Apela Colorado, Ancião, Tribo Oneida - Banafsheh Sayyad, Fundador, Dança da Unidade - Jim Garrison, Presidente, Ubiquity University - Lynne Twist, Co-fundadora, Pachamama Alliance - Jane Goodall, Primatologista, Fundadora - Instituto Jane Goodall e Mensageiro da Paz da ONU - Nicole Schwab, Co-Diretora, Plataforma para Acelerar Soluções Baseadas na Natureza, Fórum Econômico Mundial - Bruno Giussani, Curador Global, TED - Jacqueline Pitanguy, Fundadora, CEPIA, Brasil - Clover Hogan, Fundadora , Force of Nature, UK - Vandana Shiva, Author, Founder, Navdanya, India - Lisette Schuitemaker, Author.

 

Neste Post quero registrar minha participação na qualidade de observadora da Webinar Humanity Rising. Devo agradecer o convite enviado pelo Ecologista e Educador Holístico C.P. Gonzalez e pelo seu entusiasmo com as sessões e painéis da atividade, levando-me   a descobrir aspectos que estava pouco atenta uma vez que em dimensões distintas do campo de análise conceitual no qual estou imersa.

 Pela impossibilidade de comentar todas as sessões dada a variedade e especificidade dos temas e abordagens, destacarei as que me levaram a refletir sobre o momento que estamos vivendo e as possibilidades de pensarmos sobre as mudanças do cenário político, econômico, social e cultural, dentre outros.

As sessões foram transmitidas em inglês, sem tradução. Publicarei uma seleção de temas que escolhi e que me fizeram refletir sobre o momento que estamos vivendo. Como habitual em publicações de Blogs, serão apresentados em formato usual para esta modalidade de comunicação. A seguir.

 


 


Escrever, um gesto de amor.

Em 2007 publiquei o Blog: Cultura, Política e Cinema.

http://stelalmeida.blogspot.com

Postagens sobre diversos temas com o compromisso de refletir sobre as atividades que tenho participado, especialmente sobre leituras que me deixaram uma marca de emoção e afeto. Foram muitos os momentos de conversas e controvérsias com amigos e estudiosos que se dispuseram a ler e discutir os posts que publiquei com decisão e dedicação, com periodicidade semanal.

Esta primeira fase do Blog contou com o entusiasmo e incentivo de professores, cientistas sociais, amigos de caminhada e de vivências que além de lerem as postagens, opinavam, acrescentavam e me faziam escolher outros ângulos de análise. Há registros de suas intervenções no espaço destinado a comentários das postagens.

Lembro especialmente dos que não se encontram mais entre nós,  partiram para outras galáxias, teriam observações dignas de atenção   sobre o trágico momento de pandemia que estamos vivendo.  Lembro de André Setaro, Professor e entusiasmado Cinéfilo e amante da Sétima Arte, de quem fui aluna em Curso de Cinema e Comunicação e que passou seu entusiasmo e compromisso com a História do Cinema, levando-me a conhecer e assistir a memoráveis documentários  e clássicos da filmografia universal. Lembro  de Guido Araújo, Professor e criador da Jornada de Cinema da Bahia.  Aprendi com Guido a conhecer , entre outras, a filmografia africana e participar dos debates anuais promovidos com muito carinho e respeito pela produção cinematográfica latino-americana e brasileira.

Vou parar nestas duas lembranças, antes porém, quero registrar que contei com as leituras e críticas duras de dois amigos, também professores e intelectuais admiráveis: Mary Garcia Castro e Pedro Castro. Como sinalizei, há um registro no Blog dos comentários e intervenções que fizeram, não apenas para elogiar como também para assinalar as lacunas das interpretações e análises. Muito obrigada  André, Guido e Pedro, na galáxia que estão nos assistindo e a Mary, amiga de muitas lutas, com força  seguimos, o momento requer solidariedade e enfrentamentos.

O Blog foi editado em formato de livreto, em edição de baixo custo, com pequena tiragem.

Em 2009-2010 reeditamos, desta vez incluindo um contador de visitantes ( free conter) que assinala a visita de 19.567 interessados em conhecer a publicação. Há no arquivo do Blog a quantificação dos visitantes por postagens. Editamos o livreto em tiragem artesanal e distribuímos com interessados na temática. Esgotaram-se os livretos, muitos comentários e estímulos a continuidade da publicação.

Considerei necessário suspender por um considerável tempo a escrita do Blog e retorno neste momento com o propósito de ampliar a temática e refletir sobre o panorama de mudanças que estamos vivendo sob o impacto do corona-vírus. Neste sentido, quero reintroduzir as postagens sobre minhas experiências e vivências atuais que me desafiam a pensar novas formas de convivências e afetos.

Trago para retomar as postagens a participação na condição de observadora, da webinar promovida pela Humanity Rising coordenada pelo Dr. Jim Garrison, President of Ubiquity University (no próximo post apresento síntese do evento)

Foto: Jornada de Cinema da Bahia e Guido Araújo. Foto clicada por Getúlio Menezes num dia especial de encontro de amigos numa sessão de cinema. Cine Glauber Rocha, 2017.

sábado, 23 de julho de 2016

Imagens da FLIP2016



 cartilha da cura
as mulheres e as crianças são as primeiras que desistem de afundar navios.

ana cristina cesar (1952-1983)

 
                                                             tenda dos autores


 
praça do telão


tenda da biblioteca


 
praça da matriz

 
FORA TEMER!



praça da matriz


 

paraty, rio de janeiro


paraty, rio de janeiro

 

                           fotos da flip por stela borges de almeida, julho de 2016.



sábado, 16 de julho de 2016

Notas sobre a FLIP2016

Comento nesta postagem   sobre a Festa Literária Internacional de Paraty- FLIP2016 que participo pela terceira vez. Penso que a Flip representa um dos melhores momentos de convivência e partilhas para  os que apreciam as manifestações culturais, a  poesia e a literatura, dentre outros, que acontecem no Brasil.

Evento imperdível no calendário cultural de Paraty (Rio de Janeiro-Brasil) a Festa Internacional de Literatura de Paraty- 14ª edição, 29 de junho a 03 de julho de 2016-  com  uma programação intensa, composta de 21 mesas além de diversos outros encontros promovidos na FlipMais, FlipZona, Flipinha e demais espaços culturais de Paraty ,  marcam a grandeza do encontro ( para informações detalhadas consultar o site flip.org.br), 

Diversidade, intensidade, emoção,  descobertas, marcam os momentos  vividos neste lugar de beleza e de conflitos, este ano intensificado  por manifestações de protestos à grave situação política que atravessa o Brasil.

Difícil descrever a Flip, me agrada quase tudo, o nível de organização, a diversidade dos convidados, as programações alternativas a escolher, do lugar de escuta e reflexão que promove, do encontro  e descoberta de  pessoas diferentes e amantes da literatura. Não me agrada que seja entendido apenas como um evento de brancos e dos que tem  posses, concordo que  precisa ampliar  espaços para maior integração e oportunidades para as diferenças.

Neste breve relato  me detenho apenas em alguns flashes, mesmo porque- como diz minha amiga Zuleide-  o conteúdo dos debates e oferta de produções recentes de livros e publicações colocam um conjunto de inquietações que ocupariam longo tempo de conversa,  impossível neste espaço de blog.

O caminho até Paraty já apresenta  uma estrada tropical de contemplação, com uma vegetação de exuberância e muito verde tornando  ainda mais aprazível  o evento, quando na primeira parada, para repor as energias, encontramos  o primeiro convidado , nada mais nada menos do que Lázaro Ramos que responde ao meu alô com um divertido comentário_ ah uma conterrânea, com a fitinha do Senhor do Bonfim. É assim, as baianas sabem se proteger, carregam seus patuás por onde andam.



A abertura do evento trouxe-nos o amigo da homenageada_ Ana Cristina César ( 1952-1983).
O Armando Freitas Filho também  será homenageado por Walter Carvalho na sessão de cinema: Manter a linha da cordilheira sem o desmaio da planície.
Um sarau finalizará a noite, num clima de emoção e festa.

Cartilha da Cura

As mulheres e as crianças são as primeiras que desistem de afundar navios.


As vinte e uma mesas que seguirão os dias de temperatura amena em Paraty, vão requerer fôlego. Além da caminhada pelas  pedras de moleque de uma colonização histórica, cada mesa nos apresentara autores novos e velhos, amigos e conhecedores da obra poética e literária da homenageada, que  nos brindarão com seus ensaios, livros e comentários sobre a literatura e a poesia contemporânea. 

Há os que digam que a escolha da homenageada é marcada pelo desprestígio da literatura, há também os que afirmam que é um feira em cima do muro, que não há espaço para a política. Polêmica, inquietante, não atende a todas as diferenças e diversidades. 

 Gostei de ter escutado as falas de Annita Costa , Laura Liuzzi e Marília Garcia ( mesa1) e me interessei em trazer a memória de Marília de um passeio por Paris, texto escrito em 2015 realizado na Cité Internationale des Arts, em Paris.

Ouvir J.P.Cuenca e Valeria Luiselli ( mesa8), A história da minha morte, foi divertido.  Da segunda trouxe o livro  A história dos meus dentes, Rio de Janeiro, Alfaguara: 2016.  The New York Times a apresenta: " Valeria Luiselli segue a tradição de Borges e Garcia Márquez, mas seu estilo é inesquecívelmente único". A conferir.

O show do eu ( mesa 9) com Christian Dunker e Paula Sibilia provocou debates e aplausos. O psicanalista, autor do livro "Mal estar, sofrimento e sintoma" ( Boitempo)  discute os processos de "condominização" e ocupação dos espaços. Paula Sibilia traz uma produção no campo da antropologia e tem um livro com o título da mesa. A ler, mais adiante.

Foi muito interessante ouvir  de Clarice a Ana C.( mesa 14) onde  participaram Benjamin Moser e Heloísa Buarque de Holanda. Benjamin é autor de "Clarice", biografia de Clarice Lispector publicada em oito países e  reconhecido com o primeiro Prêmio Itamaraty de Diplomacia Cultural, assina uma coluna no New York Times, está finalizando a biografia autorizada de Susan Sontag. Estou lendo o livro Autoimperalismo. Três Ensaios sobre o Brasil. Planeta, 2016.

Heloísa nos trouxe um depoimento dos que conviveram de perto com a homenageada, foi amiga e professora de Ana Cristina C. Traz um vídeo sensível e delicado com fragmentos da obra de Ana C, cadernos, recortes, poesias e uma gravação com sua voz. Emocionante.

Vaiado e aplaudido, Abud Said, O cara mais esperto do Facebook, nos fala na inquietante mesa : Síria mon amour ( mesa 19) com a jornalista Patrícia Campos Mello. Fui a sessão de autógrafo, Said falou em árabe e escreveu a dedicatória em árabe.

( transcrevo  trechos do seu livro)

1 de fevereiro de 2012 às 12:08 

Estamos vendo na TV a cobertura dos debates na ONU, quando minha mãe diz: todo esse papel branco nessas mesas na frente deles é por causa da Síria???
Naturalmente, ela quer dizer que a situação é óbvia, nem precisava de todos aqueles papéis.
115 curtiram

29 de fevereiro de 2013 às 02: 20

Para aqueles que continuam se perguntando quem é Abud Said:
Eu sou Abud Said, residente em Manbij, onde as moças não vão aos cafés e onde nenhum prédio tem mais do que quatro andares...
Meu sobrinho pequeno/ sempre lhe pedi para dizer
Allahu Akbar
ele disse: eu, hein!!!
Na escola, eu sentava na última carteira. Fui pra universidade pra conhecer uma moça que não usasse véu e tivesse um celular com bluetooth...
Ela chamava o próprio celular de "catwoman ".
Por isso, chamei o meu celular de "miau".
Mesmo assim, ela nem ligou. Eu trabalho como ferreiro.
Isso quer dizer marreta, polias e chave 13x14mm.
Eu durmo com sete irmãos no mesmo quarto. Não tenho armário, por isso escondo minhas cartas particulares no galinheiro/às vezes, uma galinha põe um ovo em cima das palavras "eu te amo" e, às vezes, ela caga em cima do P.S. no fim da carta.
Minha mãe não sabe cozinhar lasanha. Até o ano passado, eu achava que croissant era um tipo de comida cara, que se come com garfo e faca.
Toda noite, eu sonho que sou Hannibal Lecter, sentado à mesa, de frente para o cérebro da moça que eu amo.
No ônibus, sento no banco oposto ao da minha vizinha, para olhá-la. Nunca em minha vida vi um avião que não fosse de guerra.
Roubo minha eletricidade do poste mais próximo. Uma garota burguesa paga minhas faturas de internet.
Na minha rua, as crianças tiram sarro da pinta na minha testa. Meu irmão mais velho não acredita que eu sou poeta...Enquanto meus primos, se soubessem que eu sou poeta, me fariam passar ridículo, batucando panelas e latões atrás de mim.
tenho um lápis com o qual às vezes rabisco, e que aponta na faca. A última caneta azul cara que eu ganhei de presente estourou no bolso da minha camisa.
Em casamentos, sento perto do cantor. Em funerais, eu sou quem serve o café amargo. Nos cafés, minha mesa sempre é aquela que o garçom ignora.
Eu sou Abud Said. Acaricio o pescoço do animal que vive dentro de mim para que ele cresça como um lobo cego.
402 curtiram


Vou concluir estas notas.  Não falei da escritora russa, do poeta norueguês, da jovem poeta inglesa, do neurocirurgião  inglês e suas intermináveis intervenções cirúrgicas, enfim não falei de inúmeras falas e comentários que ouvi e me fizeram pensar melhor e estar mais atenta à condição humana.
São muitos autores, cada um traz um novo olhar que  nos leva a caminhos diversos, com suas histórias, seus depoimentos, suas vivências e aprendizados.

Para os raros leitores, um comentário final. Coloquem suas críticas, sugestões e impressões, há espaço no blog para um feedback. Até breve!

P.S_ na próxima postarei as fotos da Flip, as que consegui captar.




                                                                 ana cristina cesar . poética.