quinta-feira, 9 de maio de 2013

Visita à Cinemateca Brasileira, SP




Em abril de 2013 visitei a Cinemateca Brasileira com o propósito de verificar  possibilidades de restauração de uma Série de Filmes Africanos do acervo da Jornada Internacional de Cinema da Bahia. Segue breves comentários do que considerei importante e valioso para compartilhar.

A Cinemateca, criada desde 1940, encontra-se desde 1992, localizada num espaço arquitetônico monumental, o que era um antigo Matadouro Municipal, em Vila Mariana, São Paulo, transformou-se numa composição edificada em galpões que lhe confere uma beleza singular, numa extensa área arborizada e preservada.  No galpão de entrada tem-se acesso a programação das salas de projeções e pode-se  consultar revistas e catálogos recentes de maior circulação no campo da cinematografia brasileira. Vale observar que a disposição das instalações confere leveza e plasticidade às edificações arquitetônicas, tanto  num plano externo como interno.

O maior acervo de imagens em movimento da América Latina encontra-se neste lugar. Há que se realizar várias visitas para conhecer mais detalhadamente os mecanismos de preservação da produção do audiovisual brasileiro, uma vez que a quantidade e qualidade do acervo disponível são notadamente visíveis.

Destaco nesta postagem, apenas nossa visita ao Laboratório de Restauração, uma vez que os setores de Documentação e Pesquisa merecem uma postagem específica, que não tenho condições de realizar no momento.  Conforme assinala registros nos documentos consultados:

‘’Desde 1978, a Cinemateca Brasileira possui um Laboratório de Restauração devidamente equipado que foi reconhecido pela FIAF como um exemplo para as cinematecas latino-americanas. Entre as suas atividades permanentes está a restauração de filmes do acervo em estado de deterioração, a transferência de materiais em suporte de nitrato de celulose para suporte de segurança (poliéster) e a confecção de cópias (matrizes ou reproduções para empréstimo).

 O que diferencia o Laboratório de Restauração da Cinemateca Brasileira dos demais são equipamentos como o copiador óptico, capaz de processar filmes 35 mm com até 4% de encolhimento, a mesa de comparação com 4 pistas e a moviola-telecine para filmes 35 e 16 mm que, ao contrário de copiadores normais, faz projeção de filmes em estado de alta deterioração. É também um dos poucos que faz controle sensitométrico de cópias em 35 e 16 mm”Catálogo da Cinemateca Brasileira, 2012.

Segue  em fotos, de forma aleatória e espontânea,   momentos da  visita ao Laboratório de Restauração da Cinemateca Brasileira, em que o Grupo de Trabalho demonstrou sua capacidade e interesse na preservação do maior acervo das imagens em movimento da América Latina. Devo ainda dizer que pude observar  a seriedade e qualidade das informações que me foram transmitidas pelos trabalhadores da Cinemateca, mesmo que assinalassem, em vários momentos da nossa conversa, a intensa crise que a instituição atravessa no momento. É lamentável!

P.S_ Para realizar a visita contei com a colaboração de muitas pessoas, dentre elas, gostaria de agradecer a Guido Araújo, Maria do Rosário Caetano, Patricia de Fillipe e a equipe de jovens que me atenderam  com gentileza e muita informação, Gabriela de Quieroz, Daniela Giovana , Rodrigo Martins, João Marcos, dentre outros. E para  meus amigos paulistas  um agradecimento especial, mostraram-me  como caminhar por São Paulo de metrô,  um jeito para se chegar nos horários previamente combinados, sem atrasos. Em  Salvador, seria impossível.

 

 

Foto 01. Visita à Cinemateca Brasileira
 

Foto 02. Cartaz no Laboratório de Restauração


 
Foto 03. Equipamentos do Laboratório de Restauração
 
 
 
Foto 04. Equipamentos do Laboratório de Restauração 
 
 
 
 
Foto 05. Equipamentos do Laboratório de Restauração
 
 
 
Foto 06. Grupos de Trabalho
 
 
Foto 07. Grupos de Trabalho
 
 
 
 
 Foto 08. Equipamentos do Laboratório de Restauração 
 
Foto 09. Equipamentos do Laboratório de Restauração
 
 
Foto 10. Galpão da Cinemateca
 
 
 
 
Foto 11. Galpão da Cinemateca
 
 
 
 
Foto 12. Entrada principal da Cinemateca Brasileira
 
 
 
 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Fórum Social Mundial 2013

 

Fórum Social Mundial 2013 será realizado na Tunísia



A próxima edição do Fórum Social Mundial (FSM) já tem data e local para acontecer. Após diversas consultas entre os movimentos sociais de diversos países, a cidade de Túnis, capital da Tunísia, foi escolhida para sediar este grande encontro por justiça social e ambiental, que será realizado entre de 26 e 30 de março de 2013.

As grandes mudanças políticas e sociais que a região do Magreb e Machrek tem vivido nos últimos anos, conhecidas como Primavera Árabe, foram um fator decisivo para escolha do local. Segundo os organizadores do Fórum, a situação nos países da região mostrou os vários desafios da atual conjuntura e reforçou a necessidade de a sociedade civil ao redor do mundo fortalecer o diálogo em rede, disseminar suas ideias e demandas e trazer para o debate internacional novas perspectivas, que superem as antigas diretrizes neoliberais.

Neste contexto, o FSM procura ser um espaço para todos e todas que lutam por justiça social e ambiental e que defendem um novo paradigma civilizatório, oferecendo a oportunidade para que pessoas, grupos e redes de diversos países discutam e proponham novas ideias para a melhoria da condição de vida no mundo, o fortalecimento da democracia e da igualdade, a solidariedade, a justiça, a paz, o meio ambiente e os bens comuns.

Fonte: http://www.acaoeducativa.org.br/index.php/em-acao/52-acao-em-rede/10004588-forum-social-mundial-2013-sera-realizado-na-tunisia



domingo, 20 de janeiro de 2013

WEBFOR2013

 
 
 

 

Maior evento de Comunicação Digital do Norte e Nordeste. 25 e 26 de maio de 2013.
 
Local provável: Auditório do Anexo da Assembleia Legislativa/CE.
 
Inscrições: GRATUITA.
 
300 vagas em ALOJAMENTOS para quem reside fora da Grande Fortaleza e do Estado do Ceará.
 
O evento será transmitido pela internet.
 
 Pré-inscrições: Informe nome completo, cidade, Estado e algum endereço que vc tem nas Redes Sociais:
 
Informações: 85-99640672(TIM) - Daniel Pearl -   Organizador Geral.
https://www.facebook.com/events/303828803025706/



 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Encontro de Blogueiros Progressistas
















Foto: Reuniao de ativistas digitais da RedePT13 em Brasília, 2012.

Encontro de Blogueiros Progressistas: Trabalhos em Rede.

A postagem hoje tem o objetivo de apresentar possibilidades de trocas simbólicas no mundo virtual entre militantes, ativistas e trabalhadores(as) comuns que navegam diariamente pela web, focando um exemplo singular de trabalho em rede.

 Sabemos que os Encontros Nacionais de Blogueiros Progressistas representam espaços significativos criados para “colaborar com a discussão sobre o fim do monopólio existente nos meios de Comunicação e reinvindicar o direito à inclusão dos cidadãos no acesso às novas mídias, como um direito fundamental ao pleno exercício da cidadania” (cf. http://encontrosp.blogspot.com.br/p/quem-somos_23.html

Criado em São Paulo (2010) o grupo de ativistas digitais, notadamente de esquerda, na defesa de  ideais democráticos e populares, compõe-se de blogueiros, tuiteiros, listeiros, orkuteiros, facebookeiros e todas as formas de rede social e virtual englobam este ativismo. Dentre suas bandeiras de luta, a defesa pela democratização dos meios de comunicação (...) acreditamos que um mundo melhor é possível e a internet é uma poderosa e ágil ferramenta de união e luta pelo surgimento de uma sociedade sem desigualdade.

 

O Blog Cultura, Política e Cinema tem o prazer de apresentar uma conversa tecida com Aparecido Araujo Lima durante a campanha eleitoral em Salvador, via Facebook. Chamou-me atenção não apenas as postagens de teor político, seguramente demonstrativas de informação e combatividade, mas também, as postagens que revelavam uma disposição ao partilhamento e  interatividade no mundo virtual. Eis nossa prosa, via e-mail.

 

BLOG: Estamos conectados e em partilhamento no Facebook. Participei do Encontro de Blogueiros Progressistas em Salvador, não nos vimos. Mas percebi que você está me olhando muito aqui no Facebook, posso enviar umas perguntinhas sobre você?

 
CIDO: Sou Jornalista formado, trabalho com pesquisa e indexação de imagens ( analógicas e digitais ), desde 1986. Minha militância política inicia-se no final da década de 70, ainda sobre o regime ditatorial. Fui diretor do Centro Acadêmico Honestino Guimarães, nas Faculdades Objetivo ( 1978/1979) e fundador do Partido dos Trabalhadores em 1980. Hoje sou um militante virtual e presencial, da Comissão Estadual de Blogueiros Progressistas do Estado de São Paulo, com presença no twitter (@cidoli) e Facebook ( Aparecido Araujo Lima).também sou diretor da área deSaúde do Sindicato dos Trabalhadores em Editoras de Livros do Estado de SP, no segundo mandato. A luta não para...

BLOG: Poderia falar mais um pouco para as leitoras deste Blog sobre o papel das redes sociais e o trabalho dos blogueiros na blogosfera ?

CIDO: Com o surgimento das redes sociais e Blogs me envolvo intensamente na organização dos Encontros Regionais , Estaduais e Nacional de Blogueiros Progressistas que teve o seu primeiro encontro em São Paulo em 2010.Como alternativa a mídia tradicional , que chamamos de PIG ( Partido da Imprensa Golpista) participamos efetivamente na campanha para elegermos a nossa presidenta Dilma Rousseff, procurando responder todas as calúnias que aconteciam na rede, mentiras, episódios famosos como a Bolinha de Papel e o aborto da Mônica Serra, que ajudaram em muito a campanha.

BLOG: Para partilharmos mais considero interessante trocarmos algumas referências bibliográficas básicas. Você poderia mencionar suas principais leituras na blogosfera?

CIDO: Como sugestão, sugiro a leitura diária, que faço:

Rede Brasil Atual    www.redebrasilatual.com.br

Agência Carta Maior http://www.cartamaior.com.br




Blog do Marco Aurélio : http://maureliomello.blogspot.com.br/


A Pública : http://www.apublica.org/ - jornalismo investigativo




Carta Capital: www.cartacapital.com.br


BLOG: E quanto aos jornais, alguma indicação para nossos leitores?

CIDO: Hoje tenho assinaturas de duas Revistas: Revista Fórum e Carta Capital.

Não assino nenhum jornal, faço a leitura, via Internet, para notícias pontuais, não de opinião.

 
BLOG: Agradeço a atenção, um forte abraço Cido.
Sobre o Blog: Cultura, Política e Cinema (2007) há no arquivo  as principais entrevistas e trabalhos desenvolvidos nestes cinco anos de blogosfera.  São trabalhos de pesquisa e de dedicação no campo dos Estudos Culturais.

Salvador, 20 de dezembro de 2012.

Stela Borges de Almeida.

 

 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mapa da Violência 2012


 
 
 
(clic na imagem para ampliá-la)  
 
 
O jornal A Tarde, divulgou hoje (sexta-feira, 30.11.2012) matéria comentando posição da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir) à respeito do Mapa da Violência 2012.

 O Mapa da Violência 2012 mostra, dentre outros dados,  que a Bahia ocupa a primeira posição no ranking de homicídios de negros. A Bahia, como sabemos, um estado com o maior contingente de afrodescendentes, apresentou um quadro de 295,4% ( 1.282 mortes em 2002 para 5.069 em 2010) à frente de Rondônia (211%) e Paraíba (209%). No Brasil, a alta foi de 29,8%, enquanto que a morte de brancos diminuiu 25, 5% ( cf. página do primeiro caderno A8).

 Comentando esta matéria com estudiosos da temática, para balizamento maior da questão dos homicídios de afrodescendente,   recebi e-mail que julgo importante compartilhar com os leitores deste Blog. Considero que a opinião de profissionais voltados ao entendimento das questões sociais com reflexão e posicionamento crítico, requer divulgação. Como leitora do jornal A Tarde, tenho percebido que este canal de informação tem criado pouco espaço para o debate de idéias divergentes e polêmicas.

Divulgar o Mapa da Violência, estudo que demonstra através de dados de pesquisa conceituadas, a Bahia como um estado de maior número de homicídios de afrodescendentes, cabe, no mínimo, indignar-se com o genocídio a céu aberto  e buscar as políticas públicas que melhore a situação dos jovens, negros e brancos da periferia desta cidade. A seguir, e-mail recebido ontem, compartilho.

 

E-mail: 29.11.2012
Assunto: Mas somos todos baianos?

 Ruy Espinheira Filho em artigo intitulado “Como é que se vai perdendo a Bahia” (A TARDE  29/11/2012) concorda com o dito por João Ubaldo Ribeiro de que “não somos brancos, nem pretos, nem índios - somos baianos”. Mas lamentavelmente a cultura, se nos identifica  por tradições, jeitos de ser, expressões artísticas, também  nos separa ao se misturar com economia e política, e não está acima de desigualdades sócio-raciais  historicamente construídas e reproduzidas hoje por relações sociais em varias dimensões da vida  e inclusive pela indiferença avestruz dos que advogam que vivemos em relações sócio rac iais sem conflitos, como sugere implicitamente o escritor em seu artigo, nostálgico por  uma Bahia idílica de um passado imaginado.  Desculpe, mas para quem era “doce” a Boa Terra ontem e para quem deixou de ser assim, hoje, cara pálida?

Se somos todos baianos, como explicamos os dados do recém lançado “Mapa da Violência  2012_ A cor dos homicídios no Brasil” (FLACSO-CEBELA-  Secretaria de Promoção da Igualdade  Racial, de autoria de Julio Jacobo Waiselfiz)?  No Mapa se lê: “Individualmente, Bahia, Paraíba e Pará foram as unidades que tiveram maior crescimento no seu número de homicídios negros, mais que triplicando em 2010 os números de 2002”. As  Taxas de Homicídio (por 100 mil) na População total, segundo Raça/cor na  Bahia  em  2 002 e  2010 são:  4,5 e 11,7 considerando a população branca; e 12,5 e 47,3 entre os negros.  O índice de vitimizaçao negra (relação entre taxa de homicídios de brancos e a taxa de homicídios dos negros) passou de 175,6 (2002) para 303,8 (2010). Considerando só Salvador, têm-se as seguintes taxas de homicídios em 2010: 21,6 e 78,3, com um índice de vitimizaçao de negros de 263.

 Será que a “privilegiada nação da baianidade” não está sendo perdida e cada dia mais violenta porque muitos não estão se sentindo menos baianos do que outros?

 

MARY GARCIA CASTRO –castromg@uol.com.br
Programa Pos Graduação Familia na Sociedade Contemporânea e
Mestrado em Políticas Sociais e Cidadania-UCSAL
Co-coordenadora Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Juventudes, Culturas, Identidades e Cidadania -NPEJI/UCSAL
Pesquisadora Flacso - Pesquisadora CNPq
Membro do Conselho Estadual de Cultura
Brasil
55-71-32354160/33791972/9979580

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Leão e a Joia. Wole Soyinka.

 
 
 
 
Ontem, dia 20 de novembro de 2012, Dia da Consciência Negra, ouvi com entusiasmo a fala do escritor, autor de peças teatrais, romances e poemas, o nigeriano, Wole Soyinka (1934, Abeokuta-Nigéria) que falava para o atento púbico presente à Academia de Letras da Bahia. Nos
 brindava com a sua simpatia, alegria e saber. Em sua homenagem, trago hoje, neste blog,
 trechos de um dos seus livros, O Leão e a Joia, publicado pela primeira vez
no Brasil em língua portuguesa. Wole Soyinka é o primeiro africano a receber o Prêmio Nobel de Literatura( 1986).
A foto que selecionei
 para ilustrar esta postagem
foi escolhida por critérios estéticos, acho esta imagem uma beleza. Encontrei em site de filmes africanos e como não anotei no momento da consulta, vou divulgá-la sem os devidos créditos, será bem vindo o leitor(a) que tiver as devidas referências.
 
 
NOITE
 
(...)Centro da aldeia. Sidi está parada em frente à janela da escola, admirando suas fotografias na revista, como já fizera antes. Entra Sadiku, trazendo um pacote fino e comprido, mas não muito grande. Age muito furtivamente e parece não ter visto Sidi parada ali. Ela abre o pacote e retira um objeto, que é uma representação do bale, completamente nu e detalhado, esculpido em madeira. Ela olha fixamente para a estatueta, explode subitamente em risadas de troça, agacha-se e coloca a figura em pé diante da árvore. Sidi contempla a cena, inteiramente tomada de espanto.
 
SADIKU: Então, afinal, nós demos um jeito em você, não demos? No fim, fomos nós que ganhamos a parada...Ah, grande e poderoso leão, será que realmente conseguimos te estropiar? A-iê-iê-iê....
Nós, mulheres, acabamos com você no fim, não foi? Eu estava lá quando aconteceu com seu pai, o grande Okiki. E fui eu que dei um fim nele...eu, a mais jovem. E a última de suas muitas esposas. Eu que o matei. Com minha força. Eu o chamei e ele veio até mim. Mas, não, para ele não foi como das outras vezes. Eu, Sadiku, não fui a própria chama e ele O pavio de linho fiado pelas mulheres velhas? Fui eu que o devorei! Raça de poderosos leões. Nós sempre consumiremos vocês, nós é que fiamos. Conforme o nosso prazer, nós é que os fazemos. Dançar na ponta de nossos cordões; vocês não passam. De piões tolos, girando sem parar e pensando. Que o mundo que gira em volta de vocês...tolos! Tolos! São vocês que giram em volta, sem parar. Até ficarem tontos de cair, enquanto nós Que enrolamos e desenrolamos o cordão à volta de vocês, Lentamente, até que nada mais sobre Do que um carretel velho e carcomido....
 
..................................................................................
 
Soyinka, Wole. O Leão e a Joia. São Paulo: Geração Editorial, 2012