domingo, 5 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fala João Pedro Stedile

Transcrição da fala de João Pedro Stedile, do MST, na reunião entre Dilma e representantes da sociedade civil
31/01/2012

Verena Glass
Repórter Brasil
Porto Alegre (RS)
Íntegra da fala de João Pedro Stedile, do MST, em reunião no dia 26 de janeiro de 2012. Leia mais sobre a reunião aqui.

"Quero começar, em nome dos movimentos sociais do campo, a cumprimentar a nossa presidenta por ter escolhido Porto Alegre e não Davos. A senhora parece ser realmente corajosa. Mas a minha obrigação aqui, em nome dos movimentos sociais do campo – sem querer representar a todos –, é trazer algumas idéias nesse espírito do diálogo aberto e franco.

Prometo não falar de reforma agrária, porque ela está paralisada, apesar de termos ainda 180 mil famílias acampadas nas beiras das estradas que precisam pelo menos de uma solução humanitária. Mas como o tema aqui é Rio + 20, nós analisamos no MST, com tudo que aprendemos na tradição de luta socialista e cristã, que a melhor pregação é o exemplo. Que o Brasil só pode liderar um processo internacional de defesa do nosso planeta, da nossa biodiversidade, se nós dermos o exemplo.

Nós temos uma agenda nacional que precisa ser resolvida. A primeira delas é que não podemos admitir as mudanças que foram acordadas no Senado para o Código Florestal. Vamos descobrir seu correio eletrônico para que o povo brasileiro lhe escreva para pedir o veto de alguns artigos que a senhora mesmo se comprometeu [a vetar] durante a campanha, e que nós não podemos aceitar.

Nós não podemos aceitar a anistia dos crimes ambientais dos latifundiários, assim como não aceitamos a redução da reserva legal, mesmo nos quatro módulos. Porque isso abre brecha para o capital internacional seguir desmatando o Cerrado e a Amazônia. A nossa política – esperamos que a senhora concorde – é do desmatamento zero. Não há necessidade de derrubarmos mais nenhuma árvore para seguirmos aumentando a produção de alimentos, inclusive em condições muito melhores.

A segunda agenda: nós precisamos fazer um grande programa nacional de reflorestamento para a agricultura familiar, controlado pelas mulheres – já que as mulheres agora mandam nesse país -, um programa para que cada agricultor familiar possa reflorestar dois hectares. Isso é uma merreca. O BNDES dá tanto dinheiro para multinacional, chegou até a financiar a America Online, massa falida... Por que não pode dar dinheiro para a agricultura familiar reflorestar o nosso país, que é uma contribuição para a humanidade?

Terceira agenda: nós precisamos com urgência um programa nacional que estimule a agroecologia. Um programa de políticas públicas que recupere uma agricultura sadia, que plante alimentos sem veneno. Quanto mais agrotóxico colocarmos nos alimentos, maior a incidência de câncer. É uma obrigação nossa produzir alimentos sadios, e para isso as técnicas da agroecologia são as mais recomendadas. Mas o governo está ausente, e é preciso ter políticas públicas que compensem e estimulem [estas práticas].

Quarta agenda: o Ministério da Integração Nacional anunciou que vai irrigar 200 mil hectares do Nordeste. Ótima noticia. Mas aí vai para lá a Cutrale, empresários do Sul, isso é uma vergonha, presidenta. Nós apelamos, em nome dos nordestinos, nós precisamos distribuir esses 200 mil ha para fazer assentamentos. Dois hectares por família, a senhora vai assentar 100 mil agricultores do Nordeste, que vão ficar juntinhos da água, e resolve três problemas: do alimento, da água e do emprego. Não precisa levar empresários do Sul. Senão vamos ocupar as terras deles.

Quinta agenda: nós não podemos nos conformar que governos do exterior deram 700 milhões para o Fundo Amazônia, e o dinheiro está lá parado no BNDES, e pela burocracia do banco só 10% do dinheiro foi aplicado. E ainda assim, dos 23 projetos, a maioria é de governos da Amazônia, de Rondônia, do Amapá. Ora, a vocação deste dinheiro é para recuperar a Amazônia, são projetos sociais, não é para governo. Governo tem outros mecanismos.

Por último, nós não podemos fazer uma conferência de meio ambiente e os nossos irmãos guarani-kaiowa continuam morrendo. Isso é uma dívida de honra. Nós não podemos aceitar que o agronegócio continue matando os povos indígenas que são os verdadeiros zeladores da nossa biodiversidade e do território. Então se a senhora só resolver os problemas dos guarani-kaiowá no Mato Grosso do Sul já vai para o céu. Agora, se não resolver isso, não adianta falar em biodiversidade, assinar documento. E a mesma coisa com as comunidades quilombolas. Faz dois anos que o Incra não legaliza nenhuma área quilombola. É a maior dívida social que nós temos, o país foi construído com trabalho escravo, e agora não consegue reconhecer uma área? Nós temos que recuperar a legalização das terras quilombolas."

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

imagens do fst_2012



















Nota: No Gigantinho, enquanto a Presidenta Dilma Roussef mostrava claramente sua estima pelos movimentos sociais_ FST2012_ em oposição aos brancos ricos de Davos, percebi que estes dois índios discutiam o próximo encontro da Rio + 20 onde todas as aldeias da tribo empoderadas poderão assistir aos filmes denúncias dos agrotóxicos e da TERRA SEM VENENO.
( clic na foto se quiser ampliá-la)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012















Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental
Porto Alegre e Região Metropolitana/RS Brasil
24 a 29 de janeiro 2012


NOTA: ATIVIDADE REALIZADA NO FÓRUM SOCIAL TEMÁTICO


Síntese: Atividade necessária e urgente na luta contra os agrotóxicos no mundo. Mostra de filmes apresentados na 38ª Jornada de Cinema da Bahia, em sintonia com o lema do evento: "Por um mundo mais humano". A mídia amordaçada não divulga as pesquisas que cientistas renomados fizeram da ação da Monsanto e similares no envenenando do mundo. O escritor uruguaio Eduardo Galeano, revela ser o Brasil o campeão do agrotóxico no mundo, onde cada brasileiro consome mais de 5 quilos de veneno por ano. Os filmes de Marie-Monique Robin, Silvio Tendler e Noilton Nunes levam a conclusões políticas mais aprofundadas onde somos convidados a mudar o modelo de produção antes da extinção da espécie humana. A necessidade de denunciar esse crime fez-nos decidir participar do FSTemático, movidos pela necessidade de tomar uma atitude e sinalizar para outras forças.

Cinema e Agrotóxico (1) As mudanças climáticas e a destruição da biodiversidade vêm sendo considerados hoje como os principais perigos que ameaçam a humanidade. Modificar urgentemente o modelo de produção dominante, determinado pelo atual modelo de globalização econômica, apresenta-se como uma exigência decisiva para não chegarmos ao limite do não retorno da vida humana no planeta. O cinema como instrumento de resistência e conscientização pode contribuir para a divulgação e reflexão de idéias contraponto da destruição do planeta e alerta das possíveis conseqüências para a humanidade.

As projeções nas últimas edições da Jornada de Cinema da Bahia vêm, sistematicamente, mostrando e denunciando estes perigos e divulgando os efeitos perversos do modelo de destruição do planeta TERRA. As principais denúncias e alertas trazidas pelos realizadores destes filmes, a nosso ver, merecem ampla divulgação e debate. Tomemos, dentre outros filmes produzidos recentemente, a síntese das principais denúncias que se encontram em: O Mundo segundo a Monsanto de Marie-Monique Robin.

O filme O Mundo segundo a Monsanto, precedido pelo lançamento do livro publicado pela Editora Radical Livros, São Paulo, foi lançado no Brasil mostrando o resultado de três anos de pesquisa e visita a vários países, entre eles, Grã Bretanha, Estados Unidos, Índia, México, Brasil, Vietnã, Noruega. O livro traduzido em 20 países, conta com mais de cem mil exemplares vendidos na França. O mundo segundo a Monsanto (Le Monde selon Monsanto) documentário apresentado para o canal franco-alemão Arte, foi exibido e debatido na Jornada Internacional de Cinema da Bahia, em setembro de 2011.

As principais conclusões apresentadas em livro e filme pela jornalista evidenciam que: Está provado que os transgênicos fazem mal a saúde. Várias pesquisas comprovam as conseqüências de populações que foram afetadas pela ação dos transgênicos.
As pesquisas sobre os transgênicos não chegam ao conhecimento da população. Há um boicote aos pesquisadores/cientistas que realizam as denúncias e mostram o efeito nocivo dos transgênicos.

Há vários casos de cientistas e suas equipes que perderam seus postos de trabalho e tiveram suspensos os financiamentos de suas pesquisas ou foram difamados em público quando denunciam os efeitos nocivos dos transgênicos. A Monsanto impede que os resultados das pesquisas sejam publicados em revistas científicas e pagam a outros cientistas para publicar artigos desmoralizando os resultados que mostram os efeitos nocivos no organismo humano. Os argumentos são de que nada prova que os transgênicos provoquem problemas e que não vale à pena pesquisar sobre eles. Para defender seus interesses comerciais a Monsanto vem bloqueando a pesquisa científica, investindo na destruição do trabalho e da reputação de cientistas que chegam a conclusões que prejudicam seus interesses de lucro.

Apesar de negar-se a divulgar resultado que contrariem seus interesses comerciais, a Monsanto afirma haver constatado diferenças no fígado, nos testículos e nos rins dos ratos, mas não atribui tais diferenças à manipulação genética. Porque tudo isso? O objetivo da Monsanto é o lucro, diz ela, conseguir que os agricultores sejam obrigados a usar suas sementes e seus herbicidas, mesmo que apresente conseqüências graves para a agricultura e para a humanidade, e mais grave, nas terras onde se planta uma vez transgênico, não se consegue plantar sementes orgânicas.

Alguns avanços tem-se conseguido: no Canadá consegui-se impedir a introdução do trigo transgênico; a existência de Campanhas de várias organizações de camponeses e do Greenpeace tem conseguido que as sementes transgênicas tivessem sua entrada barrada em alguns países da Europa; a pressão aos governos e órgãos públicos responsáveis pela fiscalização dos alimentos torne-se uma constante. Para finalizar, recomenda-se a checagem de dados em: www.combat-monsanto.org. onde se encontra parte do que é denunciado no filme. O filme vai além, divulgando inúmeras entrevistas e visitas a vários países, convidando o leitor ao diálogo e denúncia da destruição da biodiversidade e do modelo de produção que coloca em perigo a humanidade (2).

Nota: (1) O debate sobre os agrotóxicos precisa ser ampliado. Há uma produção considerável de trabalhos, estudos e pesquisas já divulgados e de conhecimento da população. Também, os Fóruns Sociais Mundiais tem- se pronunciado ao longo da sua história sobre o tema, mostrando a importância da questão no mundo moderno. Reavivá-lo tem o sentido de fortalecer tomada de posição e questionamento do modelo de exploração predatório da terra e das práticas de destruição do planeta.

(2) O filme O veneno está na mesa de Sílvio Tendler e A terra sem veneno de Noilton Nunes, exibidos no FST2012 foram distribuídos na Atividade Autogestionária em cópia restrita, autorizada por seus realizadores.

Salvador, janeiro de 2012. Texto produzido para o FST2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

sábado, 14 de janeiro de 2012

FSTemático_Porto Alegre_2012

Posted: 13 Jan 2012 06:29 AM PST

Movimento negro fará mais de 50 oficinas no Fórum Social Mundial(1)

Juarez Sant’Anna

O Largo Zumbi dos Palmares, em Porto Alegre, reunirá representantes do movimento negro brasileiro durante o Fórum Social Temático (FST), que acontece de 24 a 29 de janeiro. O local vai abrigar o "Quilombo Oliveira Silveira" e deve receber mais de 100 entidades ligadas à luta pela igualdade racial.

O nome do espaço faz referência a um dos líderes do movimento negro no Rio Grande do Sul e no País, o poeta e professor gaúcho Oliveira Silveira, que faleceu em 2009. Ele foi um dos fundadores do Grupo Palmares, que após pesquisas históricas propôs em 1971 a instituição do 20 de Novembro - data da morte de Zumbi dos Palmares em 1695 - como Dia da Consciência Negra. A efeméride foi adotada em todo o Brasil.

"Infelizmente perdemos nosso companheiro e esse é o momento de homenageá-lo", afirma um dos organizadores da atividade José Antônio dos Santos da Silva, representante comercial de 49 anos, que também trabalha na formação de lideranças. Ele milita na União de Negros pela Igualdade, uma das entidades que coordena os preparativos para o Quilombo Oliveira Silveira, em parceria com o Movimento Negro Unificado e o Grupo de Ação Afirmativa Afrodescendente.

Ao todo, 54 oficinas serão realizadas no espaço, que começará a ser montado a partir da semana que vem. Movimentos negros da Bahia, Minas Gerais, Maranhão e Goiás também devem participar dos debates que vão integrar a programação.

O combate ao racismo, os direitos humanos e o meio ambiente são alguns dos temas que vão ser discutidos nas oficinas do Quilombo Oliveira Silveira. "Os temas serão tratados sempre com o olhar do negro para a sociedade", afirma Silva.

O ator e fundador do grupo teatral Caixa Preta, Marcio Oliveira, 47 anos, também é um dos organizadores do encontro e conta que o Quilombo Oliveira Silveira terá um palco destinado para shows musicais e peças teatrais. Para ele, o negro ainda não tem uma plena representação na sociedade brasileira. "Na esfera municipal, estadual e federal infelizmente não temos muitos representantes políticos", opina.

O Fórum Social Temático acontece de 24 a 29 de janeiro e faz parte dos eventos que serão realizados em diversos países ao longo deste ano sob o guarda-chuva do Fórum Social Mundial, que é descentralizado em anos pares. O Fórum Temático terá atividades em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo.

O objetivo do encontro é formular ideias e propostas que serão encaminhadas para a Cúpula dos Povos, que ocorre junto com a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, e será realizada em junho no Rio de Janeiro, com a presença de mais de 100 chefes de Estado de todo o mundo

Nota: (1)Postagem enviada por JOSÉ ANTONIO DOS SANTOS DA SILVA, Negro em Movimento no Sul - Filho de Ogun e Iansã [noreply@blogger.com]

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

http://www.fstematico2012.org.br

Fórum Social Temático 2012Por mgsantos– 9 de janeiro de 2012
Postado em: FSM, Mundo

Fórum Social Temático 2012, que será realizado em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, de 24 a 29 de janeiro, já tem mais de 400 atividades autogestionárias inscritas.
Fórum Social Temático 2012, que será realizado em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, de 24 a 29 de janeiro, já tem mais de 400 atividades autogestionárias inscritas. Estão confirmados, por exemplo, nomes como Boaventura de Sousa Santos, Ignacio Ramonet, José Graziano, Gilberto Gil, Manu Chao e João Pedro Stédile, entre outros. No dia 25 de janeiro, o FST 2012 deverá abrigar uma mesa de cúpula reunindo os presidentes de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.


A assessoria de comunicação do Fórum Social Temático 2012, que será realizado em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, de 24 a 29 de janeiro, divulgou alguns números e informações sobre atividades confirmadas para o evento. Já há mais de 400 atividades autogestionárias inscritas e estão confirmadas a presença de 300 convidados nacionais e internacionais, entre intelectuais, líderes de movimentos sociais, ativistas das causas ambientais, trabalhistas, indígenas e de direitos humanos.Estão confirmados, por exemplo, nomes como Boaventura de Sousa Santos, Ignacio Ramonet, José Graziano e João Pedro Stédile, entre outros. No dia 25 de janeiro, o Fórum Social Temático 2012 abrigará uma mesa de cúpula reunindo os presidentes de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Paralelamente a essas atividades, ocorrerão vários outros eventos, entre eles o Fórum Mundial de Educação e Fórum Mundial da Saúde e Seguridade Social. Os quatro municípios que recebem o encontro terão eventos culturais, feiras de economia solidária e praças de alimentação. Em Porto Alegre, o Acampamento Intercontinental da Juventude instalará suas barracas mais uma vez, no Parque Harmonia. Na programação cultural, estão confirmados shows de Gilberto Gil, Manu Chao, Fito Paez, Leci Brandão, Martnália, entre outros. Além desses shows, estão programadas mostras de cinema, espetáculos de teatro de rua e apresentações circenses.

O tema central de debates do FST 2012 será a crise capitalista e os caminhos para a justiça social e ambiental. Além disso, o Fórum pretende ser um espaço para a formulação de propostas para a Cúpula dos Povos, que ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro, paralelamente à reunião de cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Maiores informações sobre como participar, credenciamentos (de imprensa, inclusive) e sobre a programação podem ser acessadas na página do encontro (www.fstematico2012.org.br).

Acampamento da Juventude
Já estão abertas as inscrições para o Acampamento Intercontinental da Juventude do Fórum Social Temático 2012, que será realizado de 24 a 29 de janeiro, em Porto Alegre. O Acampamento da Juventude ocupará o tradicional espaço já ocupado em outras edições de Fóruns, no Parque Harmonia, região da orla do Guaíba, na capital gaúcha.

O valor da inscrição é de R$ 20,00 e dará direito à participação nas atividades do FST 2012. Todos os participantes do AJ receberão uma bolsa e uma caneca de plástico recicladas.Para fazer a sua inscrição, entre emhttp://www.fstematico2012.org.br/ac….

A organização do FSt 2012 aproveita para lembrar que inscrições para todas as demais modalidades de participação no FST 2012 só terão validade quando feitas no site oficial do evento, em http://www.fstematico2012.org.br