Tempo de Curso de Cinema, em realização, com películas selecionadíssimas e chance de conversar com o crítico de cinema, André Setaro, que merece o título do ofício pois além de conhecer o métier é um apreciador original da sétima arte. Como não consegui ainda assistir todo o material selecionado deixarei para postar sobre o assunto mais adiante. Por hora, transcrevo a matéria de ontem da secção de tendências e debate da FSP. E aqui registro, também, minha perplexidade: nenhuma palavra e sobre a construção do Fórum Social Mundial Temático-Bahia, a ser realizado em 29,30 e 31 de janeiro de 2010.
TENDÊNCIAS/DEBATES
Fórum Social Mundial, 10 anos
ODED GRAJEW
--------------------------------------------------------------------------------
Ante as graves ameaças do nosso modelo de produção e consumo, "um outro mundo possível" é cada vez mais "necessário e urgente"
--------------------------------------------------------------------------------
NO ANO 2000, o neoliberalismo estava no seu auge. Dizia-se até que havíamos chegado ao fim da história. Teríamos encontrado o modelo ideal de sociedade, em que as forças do mercado, liberadas de qualquer controle governamental ou social, levariam o mundo à prosperidade, ao bem-estar e à paz.
O Fórum Econômico Mundial, o grande propulsor dessa ideologia, acolhia o ex-presidente argentino Carlos Menem com todas as honras e elegia suas políticas como exemplares a serem seguidas por todos os países em desenvolvimento. Os críticos do modelo eram tratados como retrógrados que só sabem criticar, sem apresentar propostas alternativas.
Foi nesse ambiente que tive a ideia de criar o Fórum Social Mundial (FSM) para, em contrapartida ao Fórum Econômico Mundial, denunciar os enormes riscos que o neoliberalismo representava para a humanidade, dar visibilidade a propostas alternativas e criar um espaço auto-organizado em que a sociedade civil, em nível local e global, pudesse se encontrar, promover atividades e se articular, ganhando força política e social para empreender suas ações.
Graças ao empenho de um grupo de militantes e organizações brasileiras e internacionais e com o apoio dos governos de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, viabilizou-se na capital gaúcha, em janeiro de 2001, o primeiro encontro mundial.
De lá para cá, muita coisa aconteceu. As sucessivas crises econômicas, a proliferação de guerras e conflitos, o aumento da concentração de renda e da desigualdade social e a degradação ambiental fizeram ruir a crença na ideologia neoliberal.
O lema adotado no FSM, "um outro mundo é possível", encheu de esperança milhões de pessoas que, movidas pelo desejo de mudança, conseguiram alterar o quadro político de muitos países, a começar pela América Latina e, recentemente, nos EUA.
A metodologia adotada no FSM propiciou a todas as organizações e pessoas que comungam com a carta de princípios a oportunidade de organizar livremente suas atividades e poder se juntar aos que se dispõem a declarações e ações conjuntas.
A promoção da diversidade, um dos pilares da carta de princípios, fez cada organização e cada cidadão se sentir valorizado. Ninguém é mais importante que o outro, nenhum tema tem a precedência. O "outro mundo possível", onde a solidariedade e a cooperação superam a competição e o conflito, foi aplicado na nossa metodologia.
Foi assim que o FSM ganhou o mundo. Fóruns globais e inúmeros fóruns locais, nacionais, continentais e temáticos se espalharam em todos os continentes.
Organizações sociais aproveitaram o espaço aberto e a metodologia para formar parcerias e criar redes, o que viabilizou inúmeras iniciativas políticas, sociais e ambientais. Os encontros, os fóruns, se tornaram momentos dentro de um amplo processo, o processo FSM, que se desdobra ao longo dos dias anteriores e posteriores aos eventos.
Para celebrar os dez anos do FSM, um grupo de organizações que participaram desde o início teve a ideia de realizar, em janeiro de 2010, um grande encontro para uma reflexão sobre essa última década, mas, principalmente, para elaborar propostas para o futuro do processo. Nada seria mais simbólico do que voltar ao berço do primeiro fórum: Porto Alegre.
Das conversas com as organizações sociais locais, que foram fundamentais na realização dos primeiros fóruns, nasceu a ideia de envolver as cidades da Grande Porto Alegre na realização do evento.
Foi assim que nasceu o Fórum Social 10 Anos, a ser realizado de 25 a 29 de janeiro de 2010 nas cidades de Porto Alegre, Canoas, Campo Bom, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapiranga e Sapucaia do Sul. Além das atividades auto-organizadas que serão realizadas nessas cidades, haverá um grande seminário internacional que juntará lideranças sociais e políticas numa reflexão sobre o processo FSM.
Em 2000, o nosso desafio era desmistificar e denunciar o modelo neoliberal, mostrando que "um outro mundo é possível". Em 2010, diante das reais e graves ameaças representadas pelo nosso modelo de produção e consumo, pela imperiosa necessidade de implementarmos um desenvolvimento justo e sustentável, "um outro mundo possível" se torna cada vez mais "necessário e urgente". Esse é o desafio que está sendo colocado para nós e para todos os que estarão na Grande Porto Alegre durante o Fórum Social 10 Anos.
ODED GRAJEW, 65, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo. É também membro do Conselho Deliberativo e presidente emérito do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
ZORBA, O GREGO
Reproduzo, a seguir, o texto de Contardo Calligari publicado na Folha de São Paulo, 05 de novembro de 2009. A sugestão inspirada do Calligari para as furiosas turbas merece ser escutada por todas as instituições, especialmente as educativas. Uma sessão de Zorba_ o grego ( filme dirigido por Michael Cacoyannis que tem Antonhy Quinn como personagem central) com sua visão humanista, de respeito às diferenças, em direção à vida. Rever Zorba e não esquecer de contemplar a poética de uma narrativa que se mantém viva e atual.
A turba da Uniban
--------------------------------------------------------------------------------
As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio
--------------------------------------------------------------------------------
NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.
ccalligari@uol.com.br
A turba da Uniban
--------------------------------------------------------------------------------
As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio
--------------------------------------------------------------------------------
NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.
ccalligari@uol.com.br
sábado, 31 de outubro de 2009
Bresson e Kierkegaard
No momento, sem condição de manter o rítmo de trabalho exigido pelo blog, mas segura de que este espaço precisa manter o diálogo com os(as) amantes de cinema, encontei uma postagem antiga do Adolfo Gomes, editada no Blog Bressonianas. Para falar a verdade, não conheço nem Bresson, sequer Kierkegaard, mas gosto muito do que tenho conversado com Adolfo sobre cinema.
23/06/2006
Bresson tem olhos para o impossível
Por Adolfo Gomes
(cineadolfogomes@yahoo.com.br)
Diante da obra de Robert Bresson a história do cinema assume a perspectiva do Abraão de Kierkegaard que, aos 130 anos, não tinha ido mais distante que a fé*. Pois da fé, como do amor, só ficam as evidências, que são seus filmes, tão marcantes quanto exemplo de Isaac, filho de Abraão, oferecido em sacrifício.
Não à toa, Jean-Luc Godard sentenciou: “Depois de Bresson, é preciso começar do zero”. Por que se antes de Abraão não conhecíamos a fé, sem Bresson nos faltaria uma escrita para o cinematógrafo. Então, temos essas imagens e sons a dar forma a uma ontologia de seres e coisas que não admite efeito ou psicologia.
Bresson filma homens e objetos como iguais, pois opera em uma arte de exteriores. O milagre de seu método está em atravessar essa superfície cujo sentido é o da banalidade. Sua câmera propõe uma comunhão de outra ordem: com o invisível.
É um percurso estranho, porque o invisível para nós é o indício de Deus, ou antes, a Sua ausência. E há, no universo de Bresson, esse olhar ausente, que amplifica nossa tragédia.
Uma possível síntese da escrita bressoniana está na imagem da cédula falsa em “O Dinheiro”, seu último filme. Contra a luz, a nota ilegal revela sua marca d’água, reforçando que as coisas, como os homens, não têm valor em si. Esse valor advém do gesto, nosso para com os objetos, e de Deus para com a humanidade.
No entanto, a linguagem de Deus é o silêncio. Assim nos debatemos como os pássaros ao final de “O Processo de Jeanne D’Arc”. E se nos resta alguma esperança, e ela também está em seus filmes, é porque Bresson tem olhos para o impossível.
Isolamento – De outra parte, Bresson só não conseguiu superar as limitações impostas pela indústria dos filmes, as restrições dos produtores, o que, em última análise, acabou por interromper sua carreira. À medida que avançava em sua poética, menores eram as suas chances de obter financiamento. Após anos de tentativas frustradas de levar às telas um novo projeto, recolheu-se...Conforme escreveu o norte-americano Paul Schrader: “colocou-se além de qualquer comunicação, como Deus”. Retomou a pintura, segundo relato dos mais próximos. Mas não há vestígios dessas obras, talvez definitivamente encerradas na mitologia pessoal de um artista para qual “o outro” era o caminho para revelar a si mesmo.
Nota
*Não são raras as associações entre a obra de Robert Bresson e o pensamento do dinamarquês Soren Kierkegaard. Se Bresson se referia ao cinematógrafo para marcar a diferença entre seus filmes e o cinema convencional, Kierkegaard, por sua vez, jamais pretendeu ser filósofo, embora seus escritos acabassem por criar as raízes de uma nova corrente filosófica – o existencialismo. Bresson e Kierkegaard também compartilhavam a mesma convicção religiosa radical e, até determinado ponto da filmografia bressoniana, comungavam da mesma preocupação em investigar as relações da existência com a divindade. Para Kierkgaard, o estágio religioso era o último e mais importante salto que o indivíduo deveria empreender para interpretar-se e encontrar um sentido para sua existência.
Neste aspecto, parece apropriado resgatar o exemplo de Abraão, tal como evocado por Kierkegaard em um dos seus principais livros “Temor e Tremor”. Dessa obra, convém assinalar ainda o trecho seguinte: “Abraão, pai venerável! Milhares de anos se passaram desde esses dias sombrios, porém não é preciso um tardio admirador para tirar, pelo amor, a tua memória às potências do olvido, pois todas as línguas te lembram. E, entretanto, dás a recompensa a quem te ama por uma forma mais generosa de que ninguém; lá ensejas fazê-lo bem aventurado em teu seio e, aqui embaixo prendes o olhar e o coração com o maravilhoso de tua ação. Abraão, pai venerável! Segundo pai do gênero humano! Tu que por primeiro sentiste e manifestaste essa grandiosa paixão que despreza a luta terrível contra a preciosa ação dos elementos e das forças da criação para lutar contra Deus, tu que foste o primeiro a sentir esta paixão sublime, expressão sacra, humilde e pura, do divino frenesi, tu que adquiriste a justa admiração dos pagãos, perdoa a quem tentou cantar em teu louvor, se bem não soube desincumbir-se de sua tarefa. Falou de maneira humilde, conforme o secreto desejo de seu coração; falou de maneira breve, como era conveniente; porém jamais olvidará que te foram necessários cem anos para receber, contra toda a esperança, o filho da tua velhice e que foste obrigado a sacar a tua faca para matar Isaac – também não esquecerá que aos cento e trinta anos, não tinhas ido mais distante do que a fé”.
23/06/2006
Bresson tem olhos para o impossível
Por Adolfo Gomes
(cineadolfogomes@yahoo.com.br)
Diante da obra de Robert Bresson a história do cinema assume a perspectiva do Abraão de Kierkegaard que, aos 130 anos, não tinha ido mais distante que a fé*. Pois da fé, como do amor, só ficam as evidências, que são seus filmes, tão marcantes quanto exemplo de Isaac, filho de Abraão, oferecido em sacrifício.
Não à toa, Jean-Luc Godard sentenciou: “Depois de Bresson, é preciso começar do zero”. Por que se antes de Abraão não conhecíamos a fé, sem Bresson nos faltaria uma escrita para o cinematógrafo. Então, temos essas imagens e sons a dar forma a uma ontologia de seres e coisas que não admite efeito ou psicologia.
Bresson filma homens e objetos como iguais, pois opera em uma arte de exteriores. O milagre de seu método está em atravessar essa superfície cujo sentido é o da banalidade. Sua câmera propõe uma comunhão de outra ordem: com o invisível.
É um percurso estranho, porque o invisível para nós é o indício de Deus, ou antes, a Sua ausência. E há, no universo de Bresson, esse olhar ausente, que amplifica nossa tragédia.
Uma possível síntese da escrita bressoniana está na imagem da cédula falsa em “O Dinheiro”, seu último filme. Contra a luz, a nota ilegal revela sua marca d’água, reforçando que as coisas, como os homens, não têm valor em si. Esse valor advém do gesto, nosso para com os objetos, e de Deus para com a humanidade.
No entanto, a linguagem de Deus é o silêncio. Assim nos debatemos como os pássaros ao final de “O Processo de Jeanne D’Arc”. E se nos resta alguma esperança, e ela também está em seus filmes, é porque Bresson tem olhos para o impossível.
Isolamento – De outra parte, Bresson só não conseguiu superar as limitações impostas pela indústria dos filmes, as restrições dos produtores, o que, em última análise, acabou por interromper sua carreira. À medida que avançava em sua poética, menores eram as suas chances de obter financiamento. Após anos de tentativas frustradas de levar às telas um novo projeto, recolheu-se...Conforme escreveu o norte-americano Paul Schrader: “colocou-se além de qualquer comunicação, como Deus”. Retomou a pintura, segundo relato dos mais próximos. Mas não há vestígios dessas obras, talvez definitivamente encerradas na mitologia pessoal de um artista para qual “o outro” era o caminho para revelar a si mesmo.
Nota
*Não são raras as associações entre a obra de Robert Bresson e o pensamento do dinamarquês Soren Kierkegaard. Se Bresson se referia ao cinematógrafo para marcar a diferença entre seus filmes e o cinema convencional, Kierkegaard, por sua vez, jamais pretendeu ser filósofo, embora seus escritos acabassem por criar as raízes de uma nova corrente filosófica – o existencialismo. Bresson e Kierkegaard também compartilhavam a mesma convicção religiosa radical e, até determinado ponto da filmografia bressoniana, comungavam da mesma preocupação em investigar as relações da existência com a divindade. Para Kierkgaard, o estágio religioso era o último e mais importante salto que o indivíduo deveria empreender para interpretar-se e encontrar um sentido para sua existência.
Neste aspecto, parece apropriado resgatar o exemplo de Abraão, tal como evocado por Kierkegaard em um dos seus principais livros “Temor e Tremor”. Dessa obra, convém assinalar ainda o trecho seguinte: “Abraão, pai venerável! Milhares de anos se passaram desde esses dias sombrios, porém não é preciso um tardio admirador para tirar, pelo amor, a tua memória às potências do olvido, pois todas as línguas te lembram. E, entretanto, dás a recompensa a quem te ama por uma forma mais generosa de que ninguém; lá ensejas fazê-lo bem aventurado em teu seio e, aqui embaixo prendes o olhar e o coração com o maravilhoso de tua ação. Abraão, pai venerável! Segundo pai do gênero humano! Tu que por primeiro sentiste e manifestaste essa grandiosa paixão que despreza a luta terrível contra a preciosa ação dos elementos e das forças da criação para lutar contra Deus, tu que foste o primeiro a sentir esta paixão sublime, expressão sacra, humilde e pura, do divino frenesi, tu que adquiriste a justa admiração dos pagãos, perdoa a quem tentou cantar em teu louvor, se bem não soube desincumbir-se de sua tarefa. Falou de maneira humilde, conforme o secreto desejo de seu coração; falou de maneira breve, como era conveniente; porém jamais olvidará que te foram necessários cem anos para receber, contra toda a esperança, o filho da tua velhice e que foste obrigado a sacar a tua faca para matar Isaac – também não esquecerá que aos cento e trinta anos, não tinhas ido mais distante do que a fé”.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Carta-Convite do Comitê Baiano FSM
Divulgo para os(as) amigos(as) deste blog que queiram participar do evento reproduzindo, a seguir, carta-convite recebida do COMITÊ BAIANO DO FORUM SOCIAL MUNDIAL.
Caros amigos e amigas,
Através deste viemos convidá-los para participar das reuniões de preparação na Bahia de um evento inédito:
O Fórum Social Mundial Temático,
que sob o tema
DIÁLOGO, DIVERSIDADE CULTURAL e CRISE CIVILIZATÓRIA,
se realizará em Salvador nos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2010.
Na próxima semana serão realizados dois eventos a saber:
14/10 (quarta-feira)
serão realizadas as reuniões dos GTs de: cultura, finanças, aglutinação e mobilização/comunicação. Seguidas de uma atividade didática sobre os espaços temáticos.
LOCAL: COLÉGIO CENTRAL DA BAHIA
17/10 (sábado)
das 9h às 12h - reuniões da juventude, mulheres, religião de matriz africana, povos originários, entre outras que organizarão os acampamentos do fórum.
das 14h às 17h - plenária geral para aprovar as resoluções da manhã e decidirmos sobre os espaços temáticos constantes do FSMT.
LOCAL: SINDICATO DOS BANCÁRIOS, Av. Sete 1001 (Mercês)
Contamos com a sua presença.
A Coordenação de Facilitação do Fórum Social Mundial Temático - Bahia
__________________________________________________________
Contatos
Suseth Luz - susethluz@hotmail.com
Susete - 71-9998-8058 / 71-8783-0022
Franklin – 71-9946-2868
Auresi – 71-8887-7639
Bandeira – 71-9968-9475
Esse Informativo de Memória Lélia Gonzalez é enviado a assinantes e à comunidade que luta contra toda forma de racismo e xenofobia.
Caros amigos e amigas,
Através deste viemos convidá-los para participar das reuniões de preparação na Bahia de um evento inédito:
O Fórum Social Mundial Temático,
que sob o tema
DIÁLOGO, DIVERSIDADE CULTURAL e CRISE CIVILIZATÓRIA,
se realizará em Salvador nos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2010.
Na próxima semana serão realizados dois eventos a saber:
14/10 (quarta-feira)
serão realizadas as reuniões dos GTs de: cultura, finanças, aglutinação e mobilização/comunicação. Seguidas de uma atividade didática sobre os espaços temáticos.
LOCAL: COLÉGIO CENTRAL DA BAHIA
17/10 (sábado)
das 9h às 12h - reuniões da juventude, mulheres, religião de matriz africana, povos originários, entre outras que organizarão os acampamentos do fórum.
das 14h às 17h - plenária geral para aprovar as resoluções da manhã e decidirmos sobre os espaços temáticos constantes do FSMT.
LOCAL: SINDICATO DOS BANCÁRIOS, Av. Sete 1001 (Mercês)
Contamos com a sua presença.
A Coordenação de Facilitação do Fórum Social Mundial Temático - Bahia
__________________________________________________________
Contatos
Suseth Luz - susethluz@hotmail.com
Susete - 71-9998-8058 / 71-8783-0022
Franklin – 71-9946-2868
Auresi – 71-8887-7639
Bandeira – 71-9968-9475
Esse Informativo de Memória Lélia Gonzalez é enviado a assinantes e à comunidade que luta contra toda forma de racismo e xenofobia.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Fragmentos de Godard

Continuando as Conversas de Cinema iniciadas neste espaço, quero hoje dedicar um tempo ao diálogo com Adolfo Gomes (1). A conversa será intermediada pela leitura do livro Godard, Jean Luc (2) e ampliada pela inquietante, original e particularíssima filmografia composta de mais de cinqüenta filmes de longa-metragem, uma dezena de curtas e mais de vinte filmes realizados em co-direção com companheiros de caminhada do cineasta, uma coleção admirável que ganhei de presente (3).
Como recurso metodológico, extrairemos fragmentos da leitura e simularemos um encontro com Jean-Luc-Godard. Inalando suas inspiradas fumaças por trás de montanhas de filmes e livros, com seu jeito de quem sabe trabalhar arduamente em seus projetos, ainda que sem muito dinheiro, ainda que enfrentando adversidades, ainda que pouco compreendido e sempre disposto a exercer a crítica, ainda que já envelhecendo e mais próximo à morte, encontramos um autor disposto a conversar. A seguir, fragmentos do nosso diálogo:
Blog: Em 2009 o Seminário Internacional de Cinema realizado em Salvador, trouxe, entre as várias modalidades de atividades, uma Retrospectiva Godard composta de quinze filmes produzidos em diferentes épocas. Nesta Retrospectiva percebemos uma predominância de filmes centrados nos anos sessenta onde a palavra tinha uma força incomensurável e a perspectiva masculina ainda se fazia com mais intensidade que o discurso feminino, cenário este que se reproduziu também, nestas filmagens, com algumas particularidades. Pensamos e caracterizamos a mostra como o predomínio do olhar masculino.
Godard: Sim, também penso assim. A França é um país de palavras e de linguagem, um país masculino, enquanto há países muito mais espertos como a Itália, que é um país feminino e que diz: “Invadiram-me, eu me viro, não é grave”. É o lado masculino francês: “Ser mais forte que o outro na palavra”.
Blog: Nesta retrospectiva mencionada havia, também, a expressão da trilogia marcada por filmes assistidos nos anos oitenta, entre eles, Passion, 1982; Prénom Carmen, 1983; Je vous salue Marie, 1985. Nestes, a câmera propõe um novo olhar, uma nova narrativa. Quais as inspirações que prevaleceram nestes filmes?
Godard: Mãe de Deus. O Dogma do Concílio de Éfaso, que suscitou terríveis discussões sobre a questão, para cada uma das palavras há uma biblioteca... Entramos em abismos (...) O que você observa é que “Je vous salue Marie” é primeiramente o seu filme, isso implica que quem diz a oração está na posição do Anjo: “ Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco”...É a Anunciação, é o Anjo que fala...Enquanto que na segunda parte da oração, é o homem comum, há troca de posição. (...) É o dia da Apresentação de Maria no Templo, e é uma festa solene que deu lugar a vários quadros, um grande quadro do Ticiano... Ticiano é o grande especialista de Maria em todos os seus estudos. “O fruto do vosso ventre”, depois a morte... Evidentemente, tem-se de imediato a conjunção entre o acontecimento que uma palavra vai produzir um corpo e o fato que se segue para todos que estão na paralela, ali, pensando nisso...O que é mito bem dito no Credo e nas missas que musicalmente tentam passar isso...Por exemplo em Je vous salue Marie, a aparição do bebê no automóvel, com um fundo de missas(...) quase tudo é Bach.
Blog: Há uma influência da sua formação religiosa nestes filmes? Que sentido tem a música e a religião para você?
Godard: Quando eu era criança adorava rezar a missa para toda a família reunida. Eles ficavam de joelhos. Isso lhe ensinava música. Na minha família paterna, meu avô, que era amigo de Paul Valéry, lia em voz alta... Ele começava e as crianças continuavam... Disso, tenho saudades...E por exemplo, com os atores, que são supostos...Não consigo que façam...Tentei mais abandonei...Fazer leitura a voz alta, simplesmente, mas eles só querem ler o roteiro, que não é para ler em voz alta...Ler um outro livro sobre o qual ficássemos de acordo, seria também um bom dia de trabalho...Mas você sente que é impossível...
Blog: Voltemos à trilogia, Prenón Carmem é um filme sobre a amizade entre os gêneros, isto é possível?
Godard: Na verdade, Prénom Carmen, se prende à originalidade do trabalho, ao argumento e adaptação de Anne-Marie Miéville. A história de Carmen é conhecida de todos. (...) O que nos interessava era mostrar que o homem e a mulher se tinham dito sob a influência desta imagem do amor que pesa entre eles. Que se chame isto amor ou sua aventura: destino, amor ou maldição. Se aconteceu que muitos diretores fizeram filmes que se chamam Carmem, talvez seja porque Carmen é um grande mito feminino, um grande mito feminino que não existia senão na música. E que, se a época quis que os meios de comunicação e o audiovisual se apoderassem deste mito_ e assim, tanto um pequeno produtor independente como eu, como uma grande firma comercial como Graumont se interessam por este personagem feminino_é talvez porque a coisa está no ar... mas talvez também seja a última luta das mulheres contra os homens, talvez a primeira....
Blog: O espaço deste blog requer que esta conversa seja realizada por partes, de modo que faremos uma última pergunta. Antes porém, para esta introdução, digamos assim, modesta e primeira, queremos encerrar perguntando se é verdade que as histórias de amor são ultrapassadas e se o cinema já morreu para você?
Godard: Acho que, no cinema, não pode haver senão histórias de amor. Nos filmes de guerra, trata-se do amor dos homens pelas armas; os filmes de bandidos tratam o amor dos homens pelo roubo... Em minha opinião, isto é cinema. E é o que a Nouvelle Vague trouxe de novo: Truffaut, Rivette, eu e dois ou três outros trouxemos algo que não existia mais, talvez, ou que jamais existiria na história do cinema; amamos o cinema antes de amar as mulheres, antes de amar o dinheiro, antes de amar a guerra. Antes de amarmos o que quer que seja, amamos o cinema. No que me concerne, disse muitas vezes que foi o cinema que me fez descobrir a vida. (...) Sem amor não há filmes. (...) Não há filmes sem amor, qualquer que seja. Insisto. Não existe. (...) Você me pergunta se o cinema já morreu... já assistiu meus filmes destas últimas décadas? Éloge de l’amour, 2001; Dez Minutos de Amor, 2002; Notre Music, 2004; e History of Cinema, 1988-1998? O cinema e a câmera para mim não passam de um fuzil, é algo que não se rejeita. Acredito que a comunicação é a única coisa que existe no mundo(4).
Notas:
(1) Adolfo Gomes é Cineclubista e Curador de Mostras Nacionais e Internacionais da Sala Walter da Silveira, DIMAS/Fundação Cultural do Estado da Bahia. Detém um conhecimento especial da sétima arte uma vez que trabalha na organização, divulgação e intercâmbios entre cinematecas e instituições ligadas a cinema, além de ser uma pessoa generosa no trato e amável na comunicação, qualidades hoje raras em tempos de individualização crescente.
(2) Godard, Jean Luc. Editora Livraria Taurus, Rio de Janeiro, 1985-1986. Organização e Introdução de Luiz Rosemberg Filho.
(3) Os levantamentos que realizamos em consulta à Biblioteca Central da Universidade Federal da Bahia e sites específicos de cinema revelam pistas ainda a serem exploradas, quer em relação a cine-biografia do autor quer quanto à sua filmografia, dita conhecida, porém pouco analisada e devidamente sistematizada e estudada. Entre outros, filmes como The old place, 1998 co-dirigido com Anne-Marie Miéville, For ever Mozart, 1996 e History of the Cinema, 1988-1998 e o recentíssimo Dez Minutos de Vida, 2002 merecem análises e apreciações mais detalhadas e cuidadosas.
(4) A título de provocação inserimos a seguir pequena e incompleta listagem apenas dos filmes de longa metragem dirigidos por Jean Luc Godard. Não foi uma nem duas pessoas que encontrei na Retrospectiva Godard que afirmaram conhecer toda esta filmografia, assim afirmando: “Ah, Godard, eu já assisti tudo”. Um comentário que dá lugar a se pensar.
1959. À Bout de souffle; 1960. Le Petit Soldat; 1961. Une femme est une femme; 1962.Vivre as vie; 1963. Les Carabiniers; 1963. Le Mépris; 1964. Bande à part; 1964. Une femme mariée; 1965. Alphaville; 1965. Pierrot le fou; 1966. Masculin féminin; 1966. Made in Usa; 1966. Deux out trois choses que je sais d’elle; 1967. La Chinese; 1967. Week-End; 1968. Le Gau Savoir; 1968. Um Film comme les autres; 1968. One Plus One; 1969. Pravda; 1969. Le vet d’est; 1969. Luttes em Italie; 1970. Jusqu’á la victoire; 1971. Vladimir et Rose; 1975. Numero deux; 1982. Changer d’image; 1982. Passion; 1982. Scénario Du film Passion; 1983. Prénom Carmen; 1985. Je vous salue Marie; 1985. Détective; 1986. Soft and Hard Conversation Between two friends on a hard subject; 1987. King Lear; 1987. Soign ta droite; 1988. Segment from Les Freançais vus par; 1988-1998. History of the cinema; 1990. Nouvelle Vague; 1991. Allemagne anée 90 neuf zero; 1993. Les enfants jouent á la russie; 1994. JLG/JLG: Autoportrait de décember; 1995. 2x50 Ans Du cinema français; 1996. For ever Mozart; 2004. Notre Music.
domingo, 13 de setembro de 2009
Flores de Ruanda

http://www.floresderuanda.com/ruanda/rwanda-genocide-film
Um dos momentos significativos, entre muitos, da XXXVI Jornada Internacional de Cinema da Bahia. Por um mundo mais humano. De 10 a 17 de setembro de 2009. Evento em realização em quatro pontos de exibição: Espaço Glauber Rocha, Sala Walter da Silveira, ICBA e Hotel Victoria Marina. Inquietante, provocador. Este ano traz como temática Euclides da Cunha e sua obra "Os Sertões".
Assinar:
Postagens (Atom)
+20+de+NOVEMBRO.jpg)