quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

KIKA: o cinema de Almodóvar







A postagem de hoje incursiona por um terreno não conhecido.
Resulta da tentativa de ler um livro, recebido de presente, que traz do cinema de Almodóvar, especialmente no filme Kika (1993) possibilidades para examinar a noção de semblante, conforme referência na obra de Jacques Lacan, para entendimento da especificidade de representação da feminilidade (1).

Trata-se de uma missão exigente que requer uma aproximação com uma área do conhecimento na qual realizei pouquíssimos diálogos, mas que sei da potencialidade. Nunca li Lacan, conheço Freud apenas de citações breves e sem a menor intenção de aprofundamento e de conhecimento. Entretanto, tenho-me dedicado a rever os filmes de Almodóvar. Realmente as personagens femininas criadas pelo cineasta realizam um trabalho de reconstrução de sexualidades, explora os limites da sexualidade humana, lhe conferindo a realização de uma obra cinematográfica que escapa da trivialidade e da banalização.

Ainda no primeiro capítulo da dissertação que se intitula Almodóvar e a construção do feminino no cinema, das referências citadas pela pesquisadora, além do núcleo específico de estudos sobre sexualidade e feminilidade, uma incursão pela teoria e base empírica do cinema. Por enquanto, paro por aqui. Como os (as) interlocutores (as) deste blog são raros e sensíveis, espero que se interessem também pelo desafio que se mostra nas articulações entre cinema e psicanálise (2).

Notas:

1.Kika, filme de Pedro Almodóvar, produção franco-espanhola de 1993.

2.Ana Lucia Rodrigues. Pedro Almodóvar e a Feminilidade. São Paulo: Escuta, 2008.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009: chega de genocídios!

2009: que viva a áfrica, a américa e a amizade


























A indicação dos verbetes para estudo, assinalados acima, não estão relacionados à seleção da imagem pictórica, esta resulta da exclusiva vontade de fazer uma referência ao belo. Desculpem-me.

remedios varo( 1908-1963)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Fim de Ano: 2008






















Com a aproximação do fim do ano e as inúmeras celebrações, nas diferentes redes de comunicação, deixo este espaço para retornar no próximo ano, com fé em Deus e Oxalá.

Antes, porém, queria enviar um agradecimento especial a todos(as) que passaram por este Blog e deixaram seus comentários, críticas e opiniões e, também, os que preferiram se comunicar por e-mails e telefonemas, suas mensagens foram bem-vindas.

Para a rede familiar, a de bem perto, um abraço forte para Flávia, Chad, Telma, Ananda, Yog, Mary, Pedro, Kátia, Analu, Adélia, Zuleide, Roberta, Zazo. E, para Clarice Nunes que me enviou um lindo cartão, dizer, será que um dia você vai ler essas blo(g)blagens?

Guardo todos vocês do lado esquerdo do peito. Esqueçi não, faltou Y. Aygut, Hayat!
Stela B. de Almeida

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Convite






















É com imenso prazer que divulgo o convite recebido para assistir à inauguração do Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

De Münsterberg a Emigholz: uma iniciação.











Série da obra de Heinz Emigholz. A intenção da série parece ser a de propor uma experiência perceptual, de conhecimento.



Nunca tinha ouvido falar em Hugo Münsterberg. Consultando a estante de livros de cinema na Biblioteca da Universidade Federal da Bahia, há pouco tempo atrás, localizei a antologia A experiência do cinema, organizada por Ismail Xavier. Folheando numa leitura diagonal, achei que esta antologia deveria compor a pilha de livros em consulta que, pacientemente, tenho tentado percorrer, ainda que saiba uma missão ad eternum (1)

Todos os outros autores citados, Béla Balázs, Maurice Merleau-Ponty, André Bazin, Edgar Morin, Serguéi Eisntein e outros, indicados no índice desta antologia publicada em 1983, fazem parte do repertório que aos poucos tento construir sobre cinema. Estes autores embora consultados, não eram trazidos como primazia num objeto de estudo mais recentemente focado, ou seja, na compreensão da linguagem cinematográfica em suas dimensões sintática e semântica.

Considerado pioneiro, Hugo Münsterberg, psicólogo alemão, professor da Universidade de Harvard, escreveu Photoplay: a psychological study, que segundo I.Xavier, antecipa idéias que iremos encontrar em Rudolf Arnheim (em O cinema como Arte), idéias relativas à psicologia do “fotodrama” e dos princípios gerais de sua estética. Estudo que examina as ilusões de profundidade e movimento contínuo criadas a partir de projeções descontínuas de fotografias estáticas. A aparência de profundidade é aceita pelo espectador que se envolve no “como se” da ficção, mostrando que o espectador não é um elemento passivo, é alguém que usa de suas faculdades mentais para participar ativamente do jogo, preenchendo as lacunas do objeto com investimentos intelectuais e emocionais.

Diz Xavier, expandido as idéias de Münsterberg, o espectador é alguém que usa de suas faculdades mentais para participar ativamente do jogo. Esta concepção estética confere portanto uma posição privilegiada pois o mundo exterior se reveste de formas da consciência. Mais ainda, o cinema supera as formas do mundo exterior e ajusta os eventos às formas do mundo interior numa exaltação da “vitória da mente sobre a matéria”. Neste mundo interior, a atenção, a memória, a imaginação e a emoção ganham relevo especial.

As bases que fundamentam esses princípios são encontradas em Kant, também trazidas por J. Dudley Andrew em As principais teorias do cinema, este, outro livrinho que se encontra na pilha a que me referia anteriormente (2). Interessante verificar como este pioneiro que pensou o cinema indica um ponto de partida para verificarmos em que medida as relações entre a organização das imagens e o movimento da subjetividade operam. Se este princípio mantém-se ativo, ainda hoje, a despeito de uma revolução tecnológica que opera na engrenagem fílmica, é possível perceber a multiplicidade de transformações da subjetividade sob o predomínio das imagens. Ou não? Estou me referindo a uma série de filmes que tive oportunidade de assistir nos Seminários On Line, principalmente os de Heinz Emigholz (3).


Notas:
1. Há vários volumes para consulta. Cf. A experiência do cinema: antologia/Ismail Xavier org. Rio de Janeiro: Edições Graal: Embrafilmes, 1983.
2. Este livrinho trouxe-me de presente, J. Dudley Andrew. As principais teorias do cinema: uma introdução. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2002.
3. As aulas dos Seminários On Line foram reproduzidas e consultadas em 2007/2008. A aula que me refiro, especificamente, intitulada A Região Central de Movimento. Heinz Emigholz e a Imagem-Percepção fizeram parte do quinto seminário.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sobre filmes, livros e pureza.

Neste fim de semana que passou dois episódios fizeram-me pensar mais sobre cinema. Assisti Ensaios Sobre a Cegueira e adquiri o livro de José Saramago. Além disso, tive o prazer de perceber, mais uma vez, que buscar sempre um diálogo com o Jorge Coli que nos brinda com sua coluna todo domingo, nos aproxima cada vez mais da crítica que nos adverte da miopia branca. Segue a transcrição do seu texto: Monstros da Pureza.


JORGE COLI
COLUNISTA DA FOLHA


Oswaldo Martins, especialista em literatura erótica, é também poeta. Um ou outro de seus poemas, em livros e no blog http://osmarti.blogspot.com, contém palavras mais fortes. Alguns elaboram desejos físicos de maneira delicada e sem evidência imediata. O blog é inteligente, carregado de amor pela literatura; os poemas são bons. Essas qualidades bastaram para que a Escola Parque [no Rio], em que Oswaldo Martins lecionava português, o demitisse, como contou, no domingo passado, o Mais!. A miopia moralista da escola, dos pais, de "psicólogos e juristas" evocados no texto, miopia que desencadeou o caso, assusta pelo "obscurantismo e a certeza dos censores", na expressão do próprio professor despedido. Censura e obscurantismo, no caso, não são singulares e episódicos. Eles se inserem na mentalidade de nossos tempos regressivos, marcados por puritanismos, por fundamentalismos religiosos, pelo maniqueísmo das convicções, pelo gosto doentio em patrulhar, controlar, vigiar e punir. É bem difícil lutar contra tudo isso porque essas manifestações se fazem com parcimônia, gota a gota, disfarçadas, em nome de álibis austeros. Aqui, trata-se de proteger as crianças, que, como todos sabem, são anjinhos imateriais, feitos de etérea e cândida substância, não de carne e osso. Mas quem os protegerá, e a nós todos, do mal que existe na cabeça desses educadores, desses pais, desses psicólogos e juristas, que nunca disseram um palavrão, que estão incólumes de pulsões pecaminosas, e que, senhores da moral, transformaram-se em juízes? Quem nos protegerá dos puros?

Travessuras
Exposição toda carregada de energia, humana e sexual. Seu título é um trocadilho de tom frívolo e bem achado: "Diário de Bolsa". Está na Pinacoteca do Estado de São Paulo e reúne fotografias de Vania Toledo. A maioria é dos anos 1970, até os primeiros 1980. Há nelas uma grande atração pelas festas delirantes, pela noite agitada, pelo mundo gay, por celebridades na moda, que vão de Warhol a Ângela Maria. Todos surgem surpresos em situações inesperadas, incongruentes. São instantâneos que se dilatam no espírito de uma época. A forma das fotografias se submete a algo maior: expandir uma vitalidade nada contemplativa. Nas situações mais ambíguas ou escabrosas, nenhum sentimento de deliqüescência, nenhum voyeurismo sórdido, mas a felicidade de ser, de ter existido ali, naquele momento. O passado volta, não como vestígio em documento antigo: ele dá lições de prazer sem culpa.

Morno
Na galeria Vermelho, em São Paulo, uma exposição intitulada "É Claro Que Você Sabe do Que Estou Falando?". A apresentação explica seu ponto de partida: "Onde está o sexo, mais do que a sexualidade, na produção de uma nova geração de artistas brasileiros?". A mostra não permite descobrir. Se aquilo é sexo, algodão-doce é mais gostoso.

Fagulha
Miniconto extraído do recente "Ruídos Urbanos", de Moacyr Godoy Moreira, pela Ateliê Editorial, com ilustrações de Enio Squeff: "Vivi meses por conta de maria. Do trabalho rotineiro e de maria. Chegava e já ligava para ela, recebia ordens, ia visitá-la, jantava -raramente ia ao cinema ou ao teatro. Uma pessoa difícil. Suave e carinhosa por vezes, cruel e sanguinária por outras. Os versos de Carlos a ribombar: "A chuva me irritava. Até que um dia, descobri que maria é que chovia". Sento-me defronte à calçada, aguardo amigos que chegarão. Há tempos não chegava ninguém. E maria respinga, mas não chove mais."

jorgecoli@uol.com.